Crônica - O HOMEM CERTINHO: Um presente que poderia ter sido diferente
Sempre me disseram que cada vida tem seus <... e se?>, sendo que uns refletem a realidade mais do que outros. O meu, por exemplo, aparece sempre que me vejo diante de um espelho — não desses de banheiro, mas dos invisíveis, aqueles que surgem quando a gente se compara com o que poderia ter sido. E, em momentos como esses é que me sinto como o coronel Frank Slade no filme “Perfume de Mulher”: um combatente que sabe exatamente onde errou, mas que continua marchando com a coluna ereta, como se a disciplina fosse sua última trincheira.
Passei boa parte da vida acreditando que ser “certinho” era uma espécie de seguro contra o caos. Regras de conduta, de convivência, de relacionamento, de como falar, como agir, como não incomodar ninguém. A timidez fazia o resto: eu me tornava um soldado silencioso, cumpridor de ordens que ninguém me deu, mas que eu mesmo redigi com rigor militar...
