Crônica - Máximo Gorki: a mãe, o muro e o crepúsculo das utopias
Durante boa parte de minha infância e juventude, dediquei-me à leitura de grandes obras da literatura brasileira e estrangeira, cultivando inclusive o hábito de aprender, ainda que parcialmente, o idioma original de alguns autores, na tentativa de compreender com maior profundidade o espírito de suas ideias. Contudo, cedo percebi uma curiosa diferença: ler uma língua estrangeira costuma ser tarefa menos árdua do que adquirir a fluência necessária para nela se expressar. Talvez porque, naquele tempo, eu sequer conhecesse o Alfabeto Fonético Internacional - o famoso IPA -, esse curioso mapa dos sons humanos que tantos caminhos abre aos filólogos diletantes e aos apaixonados pelos idiomas.
Dentre essas descobertas literárias, uma das obras que mais me impressionaram foi “A Mãe”, de Máximo Gorki. Não se tratava apenas de um romance, mas de uma obra concebida para celebrar o fim de uma era e anunciar o nascimento de outra...
