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Artigo: Quando a música é esperança

Há momentos em que as palavras falham. Quando tudo ao nosso redor se desmorona, as certezas, os planos, as ilusões que nos sustentavam, não há discurso que repare o vazio, não há explicação que preencha o abismo. Nessas horas, quando a razão se mostra insuficiente e a lógica nos abandona, resta buscar refúgio em algo que transcenda a linguagem racional.

Albert Camus conhecia esse silêncio. Chamava-o de absurdo: o encontro entre nosso desejo de sentido e a indiferença muda do universo. O mundo não nos deve explicações. Não há propósito cósmico à nossa espera. É justamente nessa constatação que reside a verdadeira condição humana: estamos sós num universo que não responde...

Artigo - Permita-me, Herbert, ponderar: quem julga personagens públicos é a história, não os amigos.

Em resposta a um artigo de minha autoria neste blog, intitulado Juazeiro e o mito da ‘certidão de nascimento’: o bairrismo como obstáculo ao futuro, Herbert Caffé publicou um texto enaltecendo o currículo de Jorge Khoury, mas apontando confusão e deslealdade em meu texto.

Reconheço em Herbert um gesto admirável: o de ser leal a um amigo. Contudo, como alertava o velho Maquiavel, a política não se faz apenas de lealdades; exige também análises cruas, quase cirúrgicas, da realidade juazeirense...

Juazeiro e o mito da “certidão de nascimento”:  O bairrismo, como obstáculo ao futuro

Afinal, quem pode administrar e representar Juazeiro? 
Juazeiro não nasceu como cidade no sentido clássico; foi, antes, uma contingência geográfica, uma solução logística que ligou a menor distância da parte navegável do Rio São Francisco ao porto de Salvador, então capital da Colônia: 87 léguas. Era, portanto, a porta fluvial mais próxima entre o coração do semiárido e a então capital da Colônia, Salvador, o que a transformou, desde cedo, em entreposto natural entre interior e litoral, sertão e império. Juazeiro.
Em 1833 Juazeiro foi elevada à categoria de Vila, e era conhecida como o pomar do São Francisco. Petrolina, pelo menos até 1840, sequer era habitada.
Contudo, Juazeiro não se fez apenas de águas e caminhos. Tornou-se, também, território de convergência étnica e cultural. Não apenas os flagelados das secas nordestinas aqui aportaram. Vieram também povos distantes, tragados pelas convulsões geopolíticas do século XX. Após o colapso do Império Otomano, ao final da Primeira Guerra Mundial, quando tratados foram firmados entre tapeçarias mouriscas e minaretes em ruínas, exilados do Oriente, sírios, libaneses e judeus lançaram-se ao mundo. E, como se seguissem constelações invisíveis, encontraram no sertão baiano uma improvável Jerusalém do comércio e da resistência.
Ainda assim, por algum mecanismo inexplicado da psique coletiva, o juazeirense passou a desenvolver uma espécie de xenofobia política. Criou-se a ideia, quase dogmática, de que apenas os filhos da terra poderiam legitimamente governá-la ou representá-la, prefeitos e deputados deviam nascer sob o mesmo sol que seca nossas caatingas. Uma fidelidade geográfica que, paradoxalmente, ignorou a história de seus maiores benfeitores.
Manoel Novaes, por exemplo, não nasceu em Juazeiro: era pernambucano de Floresta, e, no entanto, foi o deputado federal com maior legado na história da cidade. Desde seu primeiro mandato em 1933 até 1987, defendeu com vigor os interesses da região. Foi por suas mãos que se sustentou a construção da Ponte Presidente Dutra, mesmo quando ameaçada de paralisação (1). A ele se deve também o imenso prédio dos Correios, e a atuação decisiva na Comissão do Vale, embrião da atual Codevasf, além dos projetos experimentais de irrigação que transformaram paisagens e destinos.
Na outra ponta, temos Jorge Khoury, juazeirense de nascimento e ex-prefeito. Foi deputado federal entre 1991 e 2011. No entanto, ao consultar sua biografia oficial na Câmara dos Deputados, observamos um curioso padrão: sucessivas licenças para exercer cargos no executivo estadual (2):
“Licenças:
Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1991-1995, para exercer o cargo de Secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, de 2 de janeiro a 31 de janeiro de 1995. Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1995-1999, para exercer o cargo de Secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, de 3 de fevereiro de 1995 a 3 de abril de 1998. Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1999-2003, para exercer o cargo de Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia de 2 a 31 de janeiro de 2003. Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 2003-2007, para exercer o cargo de Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia, de 4 de fevereiro de 2003 a 14 de fevereiro de 2006 e a partir de 21 de fevereiro de 2006. Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 2007-2011, para tratamento de saúde, por 30 dias, a partir de 8 de novembro de 2010, e de 8 de novembro a 8 dezembro de 2010.”
É possível que alguém refute meu exemplo com Jorge Khoury e sustente que ele contribuiu significativamente para com Juazeiro por meio dos cargos que ocupou nas secretarias do Governo do Estado. Contudo, quem reconhece esse mérito provavelmente também concordará que Juazeiro carrega uma contradição peculiar, um veredeiro paradoxo: cobra, com veemência, que seu representante na Câmara Federal possua certidão de nascimento juazeirense, como se o vínculo geográfico fosse mais importante que o compromisso efetivo com a cidade.
No fundo, sabemos, racionalmente, que o essencial é o comprometimento com os interesses de Juazeiro. Apenas isso. O padrão-ouro do investimento público deveria ser, e em outros tempos foi o das obras estruturantes: universidades, polos de irrigação, instituições de ciência e tecnologia. Nesse campo, destaca-se Osvaldo Coelho, também juazeirense, ao propor a criação da Universidade Federal de Petrolina. E mais: não hesitou em apoiar a transformação do projeto em Universidade do Vale do São Francisco, garantindo que Juazeiro fosse incluída no campus multicampi, o que angariou o apoio da bancada baiana no Congresso. 
Pera aí. Osvaldo Coelho, deputado federal juazeirense? 
Pelos nossos padrões políticos paradoxais, sim. Nasceu aqui, embora tenha feito carreira política em Pernambuco. (e fez muito mais do que outros também nascidos aqui. Juazeiro deve uma homenagem a Osvaldo Coelho).
Bruno Reis, ex-deputado estadual na Bahia, prefeito reeleito da cidade do Salvador, nunca foi atacado por ser um pernambucano, nascido em Petrolina.
Precisamos abrir a mente e aceitar que não temos um juazeirense viável ou mesmo tempo hábil para encampar uma candidatura para deputado federal. Não é problema de nomes, que temos. Mas de conseguir romper a estrutura vigente de emendas parlamentares que sequestrou o orçamento da União, transformando deputados e senadores com mandatos e naturais reeleitos.
 Nesse cenário asfixiante, Juazeiro precisa refletir sobre sua identidade política. O bairrismo, que outrora pareceu virtude, tornou-se um obstáculo à expansão do horizonte cívico. É hora de repensar a representação parlamentar não com base na certidão de nascimento, mas na capacidade concreta de transformar a cidade com ideias, projetos e coragem política.
Precisamos estabelecer diálogos viáveis com quem, juazeirense ou não, possa trazer recursos para o Município.
Porque Juazeiro, que nasceu do rio, dos caminhos e dos encontros improváveis, não pode se permitir morrer afogada em suas próprias fronteiras imaginárias.
(1) ((https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=170109)
(2) (https://www.camara.leg.br/deputados/74552/biografia)

Professor  Dr. Luiz Antonio Costa de Santana Doutor em Direito (UNLZ) Doutor em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (UNEB) Mestre em Dinâmicas do Desenvolvimento do Semiárido (Univasf) Professor da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB/Petrolina...

PARABÉNS CAFÉ COM BLOG! PARABÉNS JUAZEIRO PELOS SEUS 147 ANOS!

Hoje (doming )  me "enfeitei" para retornar à academia que funciona até o  meio dia. Achei de dar uma olhada na entrevista de Luis Antônio Costa ao Café com Blog pelo YouTube, que até então, não havia assistido.

Resultado, não consegui parar e fui até o final, a academia ficou para o velho se houver amanhã...

Artigo - Ilha do Fogo: de quem é o chão onde arde a história?

1. Entre as inúmeras ilhotas que pontilham o leito vigoroso do rio São Francisco, poucas reúnem, com tamanha densidade simbólica e material, os traços geológicos, históricos e sociais que convergem na Ilha do Fogo. Não se trata apenas de um acidente geográfico. Composta, segundo levantamento publicado na Revista Estudos Geológicos (Potencial geoturístico das ilhas fluviais do Submédio São Francisco1), por afloramentos de fósforo e cianito, uma singularidade mineralógica na vastidão fluvial do Nordeste, a ilha representa um entrecruzamento notável entre natureza e história, ciência e política, memória e conflito.

2. Situada no coração urbano que une Juazeiro e Petrolina, a Ilha do Fogo ostenta a condição única de praia fluvial urbana dotada de condições ideais para o usufruto coletivo pelas populações das duas cidades, aspecto fundamental contido da ação popular a que dei ingresso em 2012, em face do fechamento da ilha pelo Exército, que perdurou entre 2012 e 2015...

“Juazeiro é pródiga em áreas públicas, do nada, virarem empreendimentos privados”, diz Dr. Luizão em entrevista a redeGN. Confira

Em entrevista concedida à redeGN, no Café Com Blog, na última quarta-feira (4), o advogado e engenheiro Luiz Antônio Costa, Dr. Luizão, fez uma explanação bastante contundente sobre um tema que vem sendo bastante discutido nem Juazeiro, a doação de áreas públicas para empreendimentos privados.

O advogado fez à menção sobre esse tipo de problema, lembrando uma doação feita a décadas, em Juazeiro, em que “uma praça virou um estabelecimento privado”, fazendo referência ao Colégio Dr. Edson Ribeiro, uma escola particular que ocupou o local de uma praça, no centro da cidade: “Eu estudei no Edson Ribeiro e me incomodava o fato de que na esquina do Colégio, aquela esquina próxima ao banco do Brasil, ter uma placa: Praça Barão do Rio Branco, 1912, placa em mármore e eu sempre me incomodei...como é que uma praça virou um estabelecimento privado de educação?”, questionou...

Em instantes: Café Com Blog entrevista o advogado Luiz Antônio Costa

O Café Com Blog desta quarta-feira (hoje), tem como convidado o advogado e engenheiro, Doutor em Direito, Doutor em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental, Mestre em Dinâmicas do Desenvolvimento do Semi-árido, Professor da Uneb e da Univasf e Presidente da comissão de Direito Constitucional da OAB/Petrolina Luiz Antônio Costa de Santana, com abordagens que vão do seu novo livro, “Juazeiro, uma História Não Contada”, a fatos e versões sobre política, economia e o desenvolvimento da região, na visão do convidado.

O Café Com Blog começa em instantes e você já pode acionar o canal e aguardar o início da entrevista. Aproveite e se inscreva no canal para acompanhar outras entrevistas já veiculadas e que estão pior vir...

O livro "Juazeiro, uma história não contada" é um dos destaques da entrevista do advogado Luiz Antonio Costa de Santana no Café com o blog desta quarta (04/06)

O advogado e engenheiro, Doutor em Direito, Doutor em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental, Mestre em Dinâmicas do Desenvolvimento do Semi-árido, Professor da Uneb e da Univasf e Presidente da comissão de Direito Constitucional da OAB/Petrolina Luiz Antônio Costa de Santana é o convidado do Café com o Blog na Rede GN desta quarta-feira (04/06), às 18e30H.

Entre os variados assuntos Luiz Antônio vai discorrer sobre o livro "JUAZEIRO, UMA HISTÓRIA NÃO CONTADA" publicado pela Sinergia Casa Editorial, 2025...

Professor e advogado juazeirense publica livro com sua tese de doutorado

O Professor da UNEB e UNIVASF, e advogado Luiz Antônio Costa de Santana concluiu o livro Seguridad jurídica y proteccion a la confianza: limites a la revisión y a la revocación de los actos del poder público brasileño.

No livro, que é a tese de doutorado defendida perante a UNLZ/Argentina, o autor formula uma teoria da segurança jurídica no direito brasileiro a partir da influência do direito argentino, português, espanhol e francês...

Artigo - O idoso e a dignidade humana

Por Luiz Antonio Costa de Santana

Há um nítido dilema ético no vídeo em que o (novo) ministro da saúde, Nelson Teich, afirma que em caso de escolha entre salvar a vida de um idoso e de um jovem, este é prioritário...