Crônica - RÉCORDE OU RECORDE: quem manda na língua?
A tentativa de proibir judicialmente a pronúncia “REcorde” — impondo à mídia apenas “reCORde” — não é apenas um capricho prosódico. É um gesto simbólico perigoso, porque toca em três pilares que sustentam qualquer comunidade linguística: a ciência, a lei e a cultura. E quando o Estado tenta legislar sobre aquilo que nasce espontaneamente da boca do povo, o resultado costuma ser desastroso.
A linguística, que estuda a língua como fenômeno vivo, não chancela esse tipo de intervenção. O direito, por sua vez, só tem competência para normatizar a escrita oficial — e mesmo isso já é um terreno delicado. E a cultura, que é o verdadeiro berço da língua, simplesmente ignora decretos quando eles tentam ditar como as pessoas devem falar...
