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Artigo: A direita precisará aprimorar sua visão social para retomar o poder

Enquanto alguns da Esquerda incitam a luta dos pobres contra os ricos, mesmo vivendo na riqueza, é visível, por outro lado, uma sensibilidade social frágil, meramente retórica ou pontual, entre muitos agentes políticos da Direita. Com isso, perdem oportunidades cruciais de estabelecer diálogo e promover construção política.

Falta-lhes uma visão mais profunda e estratégica das necessidades das classes D e E, quase sempre ignoradas ou interpretadas sob visões ideológicas que desprezam o sofrimento...

Artigo: principal explicação para a atual crise fiscal: ninguém quer ceder

No Brasil de hoje, o componente político está por trás de quase toda discussão econômica, e a questão do déficit fiscal não é diferente. Esse indicador consiste na diferença entre tudo o que o setor público arrecada e tudo o que gasta, excluindo o pagamento de juros. Se o valor é positivo, chama-se superávit fiscal.

Infelizmente, nos últimos cinco anos, apenas em 2022 o Brasil teve superávit, ou seja, temos tido predominantemente déficits fiscais. Isso quer dizer que o governo gasta mais que arrecada...

Artigo: Gastos públicos e privados na saúde

Por algumas vezes escrevi, neste e em outros jornais, artigos comparando o custo da educação superior privada com o da educação pública, utilizando os orçamentos da USP como referência. A conclusão é que, para um mesmo curso e com a mesma qualidade, o custo no setor público é igual ou menor do que no setor privado. O mesmo ocorre no setor da saúde.

O orçamento total do SUS, incluindo gastos das três esferas de governo, representa cerca de 4% do PIB brasileiro, o que equivale a menos de R$ 200 por mês, por pessoa. Nenhum sistema privado de saúde conseguiria oferecer o mesmo nível de serviço oferecido pelo SUS com um orçamento tão baixo. Assim como na educação superior, essa realidade evidencia a superioridade do setor público...

Artigo:É preciso uma nova onda na educação brasileira

Este artigo foi inicialmente inspirado na matéria produzida pelo jornalista Fernando Canzian intitulada Menos de 2% das crianças pobres no Brasil atingem a renda dos mais ricos, publicada na Folha de S.Paulo de 5 de junho último. Essa matéria, por sua vez, teve como referência os dados do novo Atlas da Mobilidade Social do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), plataforma de acompanhamento de políticas públicas com foco na ascensão social.

Nessa reportagem, impressiona a baixíssima mobilidade social do nosso país. Grosso modo, a tendência de quem é pobre é continuar pobre nas próximas gerações, pois a probabilidade de uma criança brasileira que faz parte da metade mais pobre ter ascensão social capaz de colocá-la entre os 10% mais ricos quando adulta é menor do que 2%. Como disse o jornalista, dois terços delas muito provavelmente permanecerão entre os 50% mais pobres na vida adulta, e apenas 10,8% subirão ao patamar dos 25% mais ricos.

Após tomar conhecimento dessa matéria, li no jornal O Globo o artigo Imobilidade dos mais pobres: uma ameaça ao país, do professor Ricardo Henriques — um dos grandes formuladores de políticas públicas em nosso país, também inspirado no mesmo Atlas. Segundo ele, os indicadores de baixa mobilidade social se agravam quando fazemos o recorte social, evidenciando, mais uma vez, que o racismo estrutural impõe obstáculos adicionais àqueles que já partem de condições sociais mais vulneráveis. Ainda segundo ele, tais indicadores seriam ainda piores no Brasil sem a ampliação do acesso à escola e de programas como o Bolsa Família — com o que também concordo...

Artigo: O imponderável na política

Na política há um fator incontrolável que não pede licença para entrar no saguão eleitoral e mudar o mapa dos votos. É o imponderável. Pode ocorrer a qualquer momento em qualquer lugar. Acidentes ou incidentes graves, eventos de grande impacto, borrascas inesperadas se escondem na caixa das coisas imponderáveis.

Começo contando o caso do jumento no Piauí. Eleições de 1986, comício de encerramento de Freitas Neto, do antigo PFL, na Praça do Marquês. Desde a manhã os carros de som convidavam o povo para o monumental show de Elba Ramalho. Às 18h, praça lotada, a massa urrava:..

Artigo: Futebol e um abismo chamado dinheiro - por Teobaldo Pedro

Vivemos sob a constatação de que há um abismo quase intransponível entre o futebol europeu e o sul-americano. E esse abismo tem nome: dinheiro.

Os grandes clubes da Europa concentram capitais colossais, compram jovens promessas ao redor do mundo, especialmente da América do Sul, África, Ásia e CONCACAF, e montam verdadeiras potências de formação e rendimento. O resultado é claro: jogadores como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, que brilharam nos gramados europeus, deixaram seus países ainda jovens em busca de melhores estruturas e remuneração. Hoje, nomes como Vinícius Júnior, Rodrygo, Julián Álvarez, Enzo Fernández, e centenas de outros atletas, continuam esse fluxo constante, atuando nas principais ligas do mundo. Eles não são exceções, mas engrenagens de um sistema que transforma talento bruto em um ativo milionário...

Artigo: São João maior festa da cultura nordestina, infelizmente está "a beira da morte"

Seguindo o mesmo argumento do advogado Rivelino Liberalino que expôs a "Falta do dono da festa. Na abertura do São João de Petrolina, em 13 de junho, o que se viu foi uma sucessão de estrelas, mas nenhuma delas brilhou com a luz da sanfona.

Nenhuma nasceu do chão quente do sertão. Nenhuma cantou o xote, o baião, a história de um povo que aprendeu a transformar dor em dança, escassez em celebração, saudade em canção...

Artigo: Viva São João, vivam os Bianos

Era 23 de junho de 1919 , uma data na qual o Nordeste se veste de alegrias para celebrar o seu personagem mais glorificado na religiosidade popular: João, o batista, personagem que figura nos evangelhos como o precursor de Jesus Cristo, do qual era primo.  

Na simplicidade da gente alagoana, mais uma sertaneja entrou em trabalho de parto, trazendo ao mundo nova vida, naquele dia de celebrações. ..

Artigo: Lembrando Luiz Gonzaga, antes que seja tarde

Porque hoje é dia 22 de junho de 2025, vou recontar esse momento sutil. Enquanto descia de Santa Teresa, Tio de Janeiro, num tempo bem passado, com o ator Beto Quirino, com o saudosíssimo poeta Chico Salles e com o também poeta Ivamberto Albuquerque, eu procurava na imaginação o disco gonzagueano no qual o Rei do Baião encantara para a eternidade suas versões para canções completamente estranhas ao seu repertório tradicional.

O Canto Jovem de Luiz Gonzaga veio e vem, de certa forma, contrapor-se ao discurso segregador. Procurando um melisma que também avoasse pelo dissonante, a sanfona e a voz do bardo encaixaram-se com certa delicadeza, mastigando mansamente as notas quase deslocadas da bossa nova e do tropicalismo...

Artigo: “Com pressa? Ela pode ter se tornado a maior inimiga da sua comunicação”

Ouvir um áudio na velocidade 2x do WhatsApp virou padrão. E é um olho no WhatsApp, outro na tela do notebook e os ouvidos no colega que ali do lado chamou para o café. Menos foco, menos paciência e mais pressa.

Não sei se você chegou até esta linha com tempo para seguir em frente, mas se chegou, descobrirá que a pressa se tornou a maior inimiga da sua comunicação – e talvez você não tenha percebido. ..

Artigo: É tempo de São João

É mês de junho. É tempo de forró, de São João, festa que é símbolo maior do sertanejo nordestino.

 O ano é de estiagem, de muita seca, mas o nordestino é sempre um forte, jamais deixa de ter esperança, por isso, diante de todas as dificuldades sonha com sua mesa  posta com pamonha, canjica, bolos de milho, milho assado e cozinhado, tapioca de todo gosto e pé-de-moleque...

Artigo: Frestas e sombras no Censo Religioso do IBGE

Frestas e sombras no Censo Religioso do IBGE.

Alguns pontos:..

Artigo: bastidores da campanha. "Assim falou Zaratustra"

Já no final da pré-campanha à Prefeitura de Juazeiro, no meio de uma manhã, recebi a ligação de Andrei da Caixa, solicitando o espaço de meu escritório para reunir-se com Joseph Bandeira e com os deputados Roberto Carlos e Crisóstomo Lima, o Zó, todos, até aquele momento, précandidatos a prefeito de Juazeiro.

Dirigi-me ao local, gastei os últimos incensos de uma caixa que uma amiga havia me trazido de sua última visita ao Nepal, de uma pequena aldeia, acampamento de alpinistas, de nome Lukla, aos pés do Himalaia, um dos principais acessos de subida para o Everest...

Artigo: desumanização da política

Seja quem for o candidato à Presidência da República em 2026 — Lula, Bolsonaro ou algum de seus herdeiros políticos —, é provável que o pleito reproduza a lógica da divisão entre “nós e eles”, “petralhas” contra “bolsominions”, “esquerdistas” versus “direitistas”. O Brasil atravessa uma das fases mais polarizadas de sua história republicana. Embora a polarização não seja fenômeno novo em nossa trajetória política, ela já foi sustentada por projetos de país — como o nacionalismo, o desenvolvimentismo, o trabalhismo. Hoje, a disputa é personalizada: fulanos contra sicranos. O conteúdo cede lugar ao confronto de identidades.

A polarização contemporânea assume a forma de uma guerra simbólica, em que os adversários não buscam se vencer por meio de ideias, argumentos ou propostas, mas sim por meio de rótulos e estigmas. A linguagem política atual tende a negar a humanidade do outro, reduzindo-o a caricatura. Por isso, falamos em desumanização da política — um ciclo marcado pela intolerância, pelo ódio e por práticas discursivas que transformam o adversário em inimigo moral.

Sob essa lógica, o antagonista é visto como ser inferior, indigno de respeito, numa retórica maniqueísta em que “os bons” enfrentam “os maus”. A crítica política dá lugar à demonização do outro, tornando inviável qualquer forma de diálogo ou construção conjunta. Esse fenômeno está presente em muitos regimes democráticos, onde cresce a preocupação com o esvaziamento ético da vida pública...

Artigo: Sem povo, não há virada!

Lula perde popularidade, mas ainda venceria. Por quê? As pesquisas indicam queda na aprovação do governo, mas mostram também que Lula ainda lidera intenções de voto. Isso não é paradoxo: é um alerta.

Mesmo desgastado, ele permanece como símbolo de algo maior, um projeto de país que, aos olhos de muitos pobres, lhes ofereceu alguma dignidade...

Artigo: Os riscos de terceirizar a mente

Agora a inteligência artificial já é capaz de criar histórias com base na Bíblia em tom de brincadeira e com linguagem leve, quase como se fosse feita para divertir crianças. O que virá depois disso?

Quando a máquina começa a tratar com leveza o que é sagrado e a reproduzir nossas referências mais profundas, é inevitável perguntar: até onde vamos permitir que ela vá?..

Artigo: Em desarmonia com a natureza

O Senado aprovou, na semana passada, um novo marco federal para o licenciamento ambiental: o Projeto de Lei nº 2.159/2021, que deverá agora passar por nova votação na Câmara dos Deputados. A revisão foi pautada na busca por maior celeridade e eficiência no processo de licenciamento, com o objetivo de reduzir o chamado “entrave ambiental”. Na prática, ela promove o autolicenciamento de empreendimentos de baixo a médio impacto ambiental e dispensa uma série de atividades do licenciamento, entre elas uma ampla gama de atividades agropecuárias.

Em outras palavras, abre as porteiras para a degradação ambiental, favorecendo alguns poucos setores industriais e econômicos e prejudicando amplamente a sociedade em termos de resiliência climática, bem-estar e saúde. Além disso, aumenta significativamente os riscos de poluição e de perda de vegetação nativa altamente biodiversa...

Artigo: Para os povos dos rios, o chão é memória, é tempo espiralado, é meio de vida.

“Os brancos não pensam muito adiante no futuro. Sempre estão preocupados demais com as coisas do momento. É por isso que eu gostaria que eles ouvissem minhas palavras. Gostaria que, após tê-las compreendido, dissessem a si mesmos: “Os Yanomami são gente diferente de nós e, no entanto, suas palavras são retas e claras. Agora entendemos o que eles pensam.

Eles ali foram criados e vivem sem preocupação desde o primeiro tempo. O pensamento deles segue caminhos outros que o da mercadoria. Eles querem viver como lhes apraz. Seu costume é diferente. Querem defender sua terra porque desejam continuar vivendo nela como antigamente.

Assim seja! Se eles não a protegerem, seus filhos não terão lugar para viver felizes. Vão pensar que a seus pais de fato faltava inteligência, já que só terão deixado para eles uma terra nua e queimada. Impregnada de fumaças de epidemia e cortada por rios de águas sujas!” Davi Kopenawa..

Artigo: Tancredo Neves, Papa Francisco e Leão XIV

Tem gente que morre no dia errado, não acabou a sua obra.

Tem gente que morre no dia certo, em consonância com a natureza...

Artigo: Wanderley do Nordeste agora é uma imensa saudade

Soube do falecimento do meu amigo, Wanderley do Nordeste. Um artista com alma de criança, sorriso generoso, homem de muita fé que venceu várias batalhas sorrindo demonstrando uma força sobrenatural, venceu um câncer e toda vez que você falava com ele , não havia nenhum sinal de dúvida de que seria agraciado com a cura. 

Eu sempre gostei muito dele, nos encontros que o jornalismo proporcionava, ou nos projetos beneficentes que ele participava, mostrando a sua alma generosa. Mas um dia, em uma das minhas andanças dando entrevistas para divulgar uma exposição cujo tema era Luiz Gonzaga, nos encontramos na Rádio Jornal e falei do lançamento da exposição que ocorreria na noite daquele mesmo dia...