“Ninguém nos diz se estamos fora de perigo”: o tsunami que ninguém detectou
Assim que terminou o serviço do jantar, Aja Asmaja, um dos garçons do Hotel Condominium Carita Beach, decidiu sair para fumar um cigarro em uma das varandas do complexo, um edifício de cinco andares com vista invejável do estreito de Sonda. A noite estava clara e a lua iluminava o mar. Uma pequena onda atingiu a escada em que ele estava sentado e molhou sua sandália, o que o levou a desviar a vista do celular para o horizonte. "Então eu vi ao longe a maior onda que já tinha visto se aproximando do hotel... Comecei a gritar como um louco: tsunami, tsunami!, e todos os clientes e funcionários do hotel subiram até o último andar". Cinco minutos depois, aquela onda atingiu o prédio, um dos maiores da praia de Carita (Indonésia), e deixou todo o piso térreo em pedaços.
As equipes de resgate vasculharam este hotel apenas uma vez porque ninguém morreu ali, graças em grande parte ao aviso de Asmaja, de 34 anos. Mas ele mesmo reconhece que sua sorte foi apenas isso: sorte. Ninguém nesta costa oeste da ilha indonésia de Java tinha ideia de que a cerca de 50 quilômetros de distância a atividade vulcânica do Anak Krakatoa iria desencadear um tsunami que causaria a morte, até o momento, de 429 pessoas. Cerca de 1.400 ficaram feridas e outras 154 continuam desaparecidas...
