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Juventude promove a valorização da cultura popular e anima comunidades rurais

"O Carrapicho realizou/ Mais uma tradição/ Uma festança cultural/ Foi muita animação/ Falo do Samba de Véio/ Que levantou a poeira do chão". Com esses versos de cordel, a Jovem Comunicadora Roseane Santos, da comunidade de Alfavaca, interior de Juazeiro, falou sobre evento realizado pelo Coletivo Carrapicho Virtual na noite do último dia 20.

Com o objetivo de valorizar a cultura popular local, o grupo realizou o Reis de Boi e Samba de Véio, que é uma manifestação cultural que já foi muito comum no mês de janeiro na região do Salitre. O grupo de cerca de 20 adolescentes e jovens desde o ano passado assume a organização do evento e este ano encarou o desafio de cuidar de todos os detalhes do esperado bumba-meu-boi...

Ministro da Cultura lança maior prêmio da cultura popular nesta sexta (27) em Recife

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, lança nesta sexta-feira (27), às 10h30, no auditório do Centro Cultural Cais do Sertão, no Recife (PE), o Edital Culturas Populares 2018. Trata-se da maior premiação de cultura popular do País, em termos de valor investido e número de iniciativas contempladas. O Ministério da Cultura (MinC) vai premiar, com um total de R$ 10 milhões, 500 iniciativas que fortaleçam as expressões culturais populares e contribuam para dar visibilidade às atividades culturais protagonizadas por mestres, grupos e pessoas jurídicas sem fins lucrativos. São exemplos o Cordel, a Quadrinha, o Maracatu, o Jongo, o Cortejo de Afoxé, o Bumba-Meu-Boi e o Boi de Mamão, entre outras.

A sexta edição do Edital Culturas Populares homenageará a "coquista", cantora e compositora Selma Ferreira da Silva, a Selma do Coco. O evento de lançamento, no Centro Cultural Cais do Sertão, contará com atrações culturais de música e dança. Veículos de imprensa interessados em participar presencialmente devem se credenciar em [email protected] até quinta-feira (26) às 17h. ..

CAMPANHA SOLIDÁRIA EM DEFESA DA CULTURA POPULAR

A dupla de repentistas Valdir Lemos e Antônio Vieira, do Projeto Sertão Viola e Poesia vem através desta solicitar aos Senhores, amigos admiradores do repente, também aos comerciantes e empresários a colaboração solidária em defesa da Cultura Popular. Faça sua doação no valor que puder. Conta corrente: 10968-7 Agência: 137. Banco do Nordeste Juazeiro-BA.

O poeta Antônio Vieira precisa urgentemente comprar uma viola dinâmica para exercer trabalhos profissionais. A única que tinha quebrou não há conserto. Infelizmente o mesmo não tem condição de comprar com recursos próprios. Repentista pai de família e vive exclusivamente da profissão.  Valor do instrumento R$ 3.000.00 (Três mil Reais) exclusivo para repentista, só encontra em Juazeiro do Norte-CE, Fortaleza Capital. E em Caruaru-PE...

Projeto Sonora Brasil terá o coco de Tebei na quinta-feira (02) em Petrolina

O projeto nacional Sonora Brasil apresenta nesta quinta-feira (2), gratuitamente, às 20h, grupo de o Coco de Tebei no Teatro Dona Amélia.  Em sua 20ª edição, o projeto realizado pelo Sesc é o maior em circulação pelo País, com a proposta de apresentar ao público expressões musicais fortes, mas ainda pouco difundidas e que integram o cenário cultural brasileiro.

O Coco de Tebei é o terceiro grupo a passar por Petrolina e é praticado por agricultores e tecelões da comunidade Olho D’Agua do Bruno, na cidade pernambucana de Tacaratu, localizada na região do Médio São Francisco, próximo à divisa com Bahia e Alagoas. Cantado por mulheres, o grupo não utiliza instrumentos e a base rítmica é marcada pela pisada dos dançadores...

Começa nesta sexta-feira (01), a Sonora Brasil Coco do Zambê do Sertão

Após passar por Triunfo, no Sertão do Pajeú, o projeto Sonora Brasil, realizado pelo Sesc, chega ao Sertão do Araripe e do São Francisco para apresentar o Coco de Zambê. No dia 1º de setembro, a Capela dos Santos Reis, localidade da Várzea do Meio, em Bodocó, recebe o grupo partir das 20h. No dia 2, é a vez do público de Araripina dançar ao som do Coco às 20h, no Lions Club. Em Petrolina, a apresentação acontece no domingo (3/9), no mesmo horário, no Teatro Dona Amélia. O acesso é gratuito ao público. 

O Coco de Zambê é encontrado principalmente no município de Tibau do Sul, litoral do Rio Grande do Norte. A manifestação cultural, de acordo com pesquisadores, chegou aos engenhos de cana-de-açúcar e colônias pesqueiras da região através de africanos escravizados...

Cultura popular vai marcar evento de passagem da Tocha Olímpica por Sobradinho

Nesta terça-feira (5), a comissão de organização do evento que marcará a passagem da Tocha Olímpica por Sobradinho se reuniu com o objetivo de definir a programação festiva que irá receber o símbolo olímpico no dia 26 de maio. A comissão é composta por representantes de todas as secretarias municipais que estarão envolvidas no evento, seguindo as normas do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016.

Ficou definida uma programação recheada de atividades esportivas e culturais, com elementos do folclore regional, valorizando os artistas locais nas diversas modalidades. A programação acontecerá durante todo o dia, envolvendo a comunidade. O Projeto Caatinga, desenvolvido pela Secretaria de Educação, anualmente, vai acontecer no dia do evento, reunindo alunos e professores de todas as escolas municipais que vão apresentar os trabalhos realizados sobre o tema caatinga na Praça Geraldo Silva. ..

A FEIRA LIVRE DO NORDESTE COMO EXPRESSÃO DA CULTURA POPULAR

A canção “A feira de Caruaru”, composta por Onildo Almeida e interpretada pelo imortal Rei do Baião, além de ser um clássico da música popular brasileira, é também uma bela e justa homenagem a uma das mais autênticas manifestações da cultura do Nordeste: a feira livre. Tomando como referência a Caruaru dos grandes são joões e do Mestre Vitalino, a moda em destaque mostra o quão é rica e diversa a feira livre do Nordeste.

A feira é, por excelência, o lugar da diversidade. Nela se vende, se compra, se troca. Em cima de esteiras, de caixotes, ou expostos em pequenas bancas cobertas de lona, são ali oferecidos os mais diferentes gêneros e produtos, desde alimentos, vestuários, até utensílios de cozinha e ferramentas de trabalho; a feira possui sua culinária, seu modo de vestir, sua linguagem; na feira se come, se bebe, se embriaga, se cai, se levanta; na feira se canta, se dança, se contam histórias, se rememoram fatos; na feira se celebra o encontro, o ajuntamento, a roda de amigos em torno da boa “cana; na feira, arranjam-se namoros, encontram-se amantes, terminam-se casamentos; a feira é celebração, é acontecimento, é festa (a própria etimologia já o indica: “dia de festa”); é a quebra da rotina e da “mesmice” que marcam o cotidiano. 

A feira é também lugar de comunicação. Por ali circulam de boca em boca informações a respeito de quase tudo: a chuva que caiu alhures; a vaca do amigo que deu boa cria; a comadre fulana que partiu dessa pra melhor; a filha do sicrano que fugiu com um marmanjo há pouco chegado de São Paulo; a mulher que chifrou o marido com o filho do vizinho; a guerra que estourou longe dali; o deputado que roubou lá pras bandas da capital; o prefeito que fraudou as urnas a fim de ganhar a eleição; o padre que deu em cima da catequista da paróquia. 

É na feira que os artesãos expõem seus produtos e os artistas populares mostram a força do seu talento. Quando eu era adolescente, não me cansava de parar para ouvir os cantadores de ABC, poetas populares que percorriam as feiras do Nordeste comercializando seus folhetos de cordel. Aliás, veio daí minha paixão por esse gênero de poesia. Sempre admirei as feiras livres, em especial a de Monte Santo, meu torrão de origem. Achava bonito o desfilar dos caminhões paus-de-arara, que dos quatro cantos chegavam apinhados de pessoas a conduzirem suas mercadorias. Encantava-me com os vendedores de pomadas e cascas de pau, a divertirem o público com seus ousados ventríloquos, que falavam e contavam piadas como se fossem gente. Adorava os bolos, manuês e arroz doce servidos quentinhos, ainda fumaçando. Para mim, a feira era sempre uma festa, sendo rara a semana que não a frequentava. Chegava de manhã, no começo, e saía à tardinha, já no final. 

A feira quebra barreira, estreita laços, estabelece convivência. Ali cada um é tratado pelo nome (Zé, Maria, João, Zefinha), como se fora um ambiente familiar. Ao freguês, é facultado experimentar o produto, sem que isso gere qualquer compromisso. Sem a rigidez das leis do Mercado, os preços ali são flexíveis e estão sempre sujeitos à pechincha do consumidor. Dependendo da lábia e do choro do comprador, uma dúzia deixa de ser doze para ser quinze unidades. O lucro é importante, mas “agradar” o freguês torna-se mais importante ainda.

Muitas cidades operam o tempo todo quase que em função da feira, dela recebendo todas as influências possíveis. O intercâmbio com pessoas de outras procedências, algo inevitável, acaba sempre acrescentando elementos novos à vida local. Aliás, a troca de experiências entre pessoas e grupos diferentes será sempre um traço marcante quando o assunto for feira livre. Assim surgiram e se desenvolveram muitas das feiras do Nordeste – região historicamente cortada por peregrinos, mercadores e viajantes. É sabido que antigos pousos de tropeiros transformaram-se em feiras livres e, estas por sua vez, deram origem a muitos dos atuais centros populacionais. Outros grupos sociais também tiveram participação na construção desse patrimônio da cultura brasileira. Dentre eles, há de se mencionar negros, índios, retirantes, beatos, cangaceiros, adivinhos, feiticeiros, poetas, prostitutas, mendigos, cachaceiros... cada um emprestando sua concepção acerca do mundo, das coisas e das pessoas.

Importante fator de geração de renda, o que já é bastante significativo, haja vista as condições sociais e econômicas da maioria das cidades nordestinas, a feira representa também a ocupação do espaço urbano como lugar de encontro. No momento em que os modernos meios de comunicação, caso das redes sociais, ou a adoção de determinadas medidas de segurança, tendem a afastar as pessoas do convívio social, a rua é reclamada como espaço de socialização, de confraternização e de troca de experiências. E a feira livre desempenha esse papel.

A feira livre resistiu a todas as transformações por que passou o mundo ao longo dos séculos, chegando aos nossos dias com toda a força simbólica que lhe é característica – não obstante o advento dos novos expedientes comerciais, a exemplo dos quilométricos hipermercados e das agilíssimas compras virtuais. Como sabiamente salientou alguém, “a feira livre é como uma filha rebelde da modernidade que insiste em desafiá-la”.

É necessário, porém, que haja uma sólida política de preservação da feira livre. Há de se empreender amplo trabalho de conscientização da sociedade acerca do papel da feira enquanto expressão das culturas locais, não permitindo que novos modelos desfigurem seu formato original. Formato que vai desde o dia e horário do evento, até a espontaneidade com que os feirantes expõem seus produtos, não tendo de se submeterem aos “padronismos” das modernas formas de comércio. 

José Gonçalves do Nascimento

Poeta e cronista..