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'Grande sertão: veredas': os 70 anos de um livro encantado

Da primeira palavra, “Nonada”, à última, “Travessia”, a obra-prima atravessa o tempo sem perder força, profundidade, beleza, vigor e, principalmente, emoção. E chega à atualidade inteira, em corpo e alma.

“Grande sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa (1908-1967), completa sete décadas de lançamento com fôlego suficiente para alcançar a eternidade e seduzir futuras gerações. Mas há outros motivos para se homenagear, neste ano, o escritor natural de Cordisburgo, na Região Central de Minas...

Artigo: Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, completará setenta anos em 2026

Talvez não convenha intitular comentários para uma seção sobre literatura com sinal de interrogação.

Corre-se o risco de transformar alguma ilusão de certitude em concreta dúvida, induzindo eventuais leitores a supor que o colunista não está totalmente seguro do que mais e melhor dizer. Entretanto, como logo se verá, a matéria deste brevíssimo artigo é muito maior que as primeiras impressões e as rematadas certezas. Pois “mire veja”...

Bioma Cerrado: percorrer as paragens que inspiraram Guimarães Rosa é lançar os olhos por uma paisagem cada vez mais devastada

Entidade central na literatura e no sertão evocado pelo escritor João Guimarães Rosa (27/06/1908-19/11/1967), presente na obra prima do autor desde as primeiras menções, o ecossistema de vereda vem sendo dizimado desde as regiões Noroeste e Norte de Minas Gerais, também na chamada trijunção mineira com Goiás e Bahia.

Imortalizada na literatura nacional sob o título Grande sertão: veredas, a paisagem vai definhando na vida real no mesmo compasso do bioma que a abriga, o Cerrado, o segundo mais devastado do Brasil, atrás apenas da Amazônia, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais...