Crônica - A PRINCESA DE DAOMÉ E O CAPITÃO PORTUGUÊS: Uma História de Amor e Superação das Fronteiras Étnicas
Às vezes imagino que meus pais nunca se conheceram numa rua, numa festa ou por obra do acaso. Penso, ao contrário, que se encontraram muito antes, talvez quando uma caravela portuguesa cortou mares desconhecidos, talvez quando tambores africanos anunciaram a chegada de estrangeiros à costa, ou talvez quando o destino, esse velho artesão silencioso, decidira misturar mundos que a História havia insistido em separar.
Aliás, eu gosto de imaginar minha mãe como uma princesa de Daomé, não uma princesa de palácios dourados e coroas adornadas por pedras preciosas, mas uma daquelas que carregam no olhar a força ancestral de um povo inteiro; enquanto meu pai surge em minha imaginação como um capitão português, homem dos mares, herdeiro de uma terra de navegadores e descendente daqueles que acreditavam que o horizonte era apenas o começo do caminho...
