Era uma quarta-feira de sol forte no sul do Pará, a data, 17 de abril de 1996, e cerca de 1.500 trabalhadores rurais marchavam pacificamente pela rodovia PA-150, em direção a Belém. Eram homens, mulheres, crianças, idosos, todos Sem Terra, com um único pedido ao Estado brasileiro: o acesso à terra para trabalhar e viver com dignidade. Mas o que a tropa da Polícia Militar do estado, comandada pelo coronel Mário Pantoja, reservava para eles naquela curva da estrada, às margens do município de Eldorado do Carajás, seria registrado pelas câmeras de uma reportagem local como o maior massacre de trabalhadores rurais do Brasil republicano.
Os projéteis encontrados nos corpos daqueles trabalhadores contavam uma história que nenhum discurso oficial conseguiria apagar, mesmo depois de 30 anos. Com vários corpos atingidos na nuca e nas costas, as evidências documentadas pelos peritos do Instituto Médico Legal (IML) mostraram a intenção evidente de execuções sumárias, realizadas quando as vítimas já estavam feridas ou rendidas, tentando fugir por entre a mata e a vegetação às margens da rodovia. Pelo menos sete dos 19 mortos no local apresentavam marcas compatíveis com tiros à queima-roupa...