
Câmeras de segurança mostraram como ocorria a atuação dos advogados presos por burlarem o isolamento e incomunicabilidade com o meio externo imposto em presídio de segurança máxima, com a finalidade de viabilizar a gestão de facções criminosas por suas lideranças presas.
Os defensores atuavam como o "núcleo jurídico" de chefes de facções criminosas, utilizando o parlatório do Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha, a 180 quilômetros de Salvador.
Nas imagens, divulgadas pelo Fantástico/TV Globo, neste domingo (5), é possível ver que os advogados transmitiam ordens de chefes do tráfico que deveriam estar isolados. As câmeras instaladas com autorização judicial registraram, entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, que os profissionais recebiam e transmitiam instruções detalhadas sobre a compra e venda de armamentos, contabilidade e prestação de contas do tráfico de drogas, além de planejamentos de homicídios e sequestros.
Em uma das imagens, é possível ver que a advogada Fernanda Oliveira Borges, escondeu os bilhetes com as diretrizes das quadrilhas, em sua roupa íntima, durante visita a um dos criminosos. O traficante ainda questiona para a advogada sobre as contas e valores de venda de drogas. Em outra visita, o detento ainda emite uma ordem para a advogada de compra de metralhadoras. Ele ainda manda que Fernanda cobre uma dívida para outro criminoso, em tom de ameaça. Ela ainda teria anotado uma ordem de um possível sequestro.
Já em outra ocasião, o advogado Icaro Cardoso Viana, recebe instrução de entrega de armas. O profissional recebeu a ordem de um traficante para falar com sua tia sobre a a entrega do equipamento. Em seguida, o advogado fala sobre compra de 700 gramas “peixe”, que seria, segundo a Polícia, cocaína e óleo, que seria crack.
Outro momento que chama atenção é acerca de instruções que Icaro recebe sobre preço de drogas, intitulado como “chá”, que seria maconha. O profissional teria recebido ainda normas para seguir sobre valores para compra e vendas e também para seu pagamento.
Também investigada no caso, a advogada Maria Mariana, conversa com seu cliente preso sobre a preparação de cocaína para venda. Outra imagem obtida pelas gravações apontaram ainda o pedido de assistência informal por um preso para uma advogada. O valor cobrado por ela foi de R$ 3 mil por cada visita.
RELEMBRE A OPERAÇÃO - A operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), com o apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização, prendeu dez advogados e cumpriu mandados contra 12 detentos na última sexta-feira (3).
Segundo o MP-BA, durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos diversos que poderão contribuir para o aprofundamento das investigações e para a identificação da eventual participação de outros envolvidos.
De acordo com os promotores de Justiça do Gaeco, as investigações identificaram a atuação de facções criminosas estruturadas e com atuação regional, responsáveis pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes, circulação de armas de fogo e articulação entre grupos criminosos, com reflexos diretos na segurança pública baiana.
Os elementos reunidos indicam que essas organizações mantinham um sofisticado esquema de comunicação clandestina que permitia a continuidade das atividades criminosas mesmo com lideranças custodiadas em unidade prisional de segurança máxima, por meio de um núcleo externo responsável por intermediar a transmissão de ordens entre integrantes presos e membros em liberdade.
No âmbito das medidas cautelares deferidas judicialmente, foi determinada a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, até o limite mínimo de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, bens imóveis, embarcações e aeronaves dos investigados, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos vinculados às atividades ilícitas.
Participaram da operação mais de 100 profissionais, dentre eles promotores de Justiça, servidores e policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPBA, além de integrantes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e Departamento de Polícia do Interior (Depin) da Polícia Civil da Bahia, Seap e SSP.
A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc), do Ministério Público brasileiro, com o objetivo de intensificar o enfrentamento às facções criminosas em todo o país.
TV Globo e Bahia noticias Foto reprodução


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