Artigo - Brasil 3x0 Escócia: Lições da vitória e as projeções para o duelo decisivo contra o Japão

Na última quarta-feira (24/06), o Brasil apresentou seu melhor desempenho na Copa ao vencer a frágil Escócia por 3x0. Com o resultado, a equipe avança para enfrentar o Japão na próxima segunda-feira (29/06). Taticamente, o time evoluiu com a manutenção de Rayan na ponta direita.

Um dos destaques da partida, o atacante proporcionou melhores movimentações ofensivas e defensivas. Todavia, o grupo ainda apresenta lacunas na bola aérea defensiva e na marcação alta. Apesar disso, o volume de jogo permitiria um placar ainda mais elástico, não fosse um gol mal anulado pela arbitragem.

A partida prometia ser exigente, visto que os escoceses precisavam de um empate para conquistar uma classificação histórica. No entanto, logo aos 7 minutos, Rayan pressionou a saída de bola adversária e bloqueou um passe, servindo Vinícius Júnior, que abriu o placar com facilidade. Pouco depois, o camisa 7 chegou a balançar as redes novamente em um lance erroneamente anulado, o que poderia ter liquidado o confronto precocemente.

Após a vantagem inicial, o duelo tornou-se tranquilo. Mesmo detendo mais a posse de bola, a Escócia acumulou erros não forçados. Enquanto isso, os comandados de Ancelotti seguiram pressionando com Rayan e Douglas Santos dando amplitude pelos lados. Matheus Cunha, atuando como falso 9, recuou para formar um losango no meio-campo e gerou grande volume ofensivo. Com o apoio de Bruno Guimarães, a equipe chegou ao segundo gol: o volante infiltrou na área e cruzou para Vinícius Júnior ampliar.

Na segunda etapa, o ritmo diminuiu. A Escócia subiu suas linhas e manteve a posse, mas levou perigo apenas em jogadas aéreas, principalmente com as infiltrações de McTominay. O setor defensivo requer atenção, pois Alisson realizou ao menos três defesas importantes devido a falhas de posicionamento nesses lances. Gradualmente, o Brasil retomou o controle. Rayan continuou produzindo bem pela direita, enquanto Vinícius Júnior teve liberdade na faixa central. O uso de um bloco médio mostrou-se mais eficiente que a marcação alta, que ainda carece de melhor encaixe. No fim, em uma transição rápida iniciada por Bruno Guimarães, Matheus Cunha recebeu em ótima condição para selar o 3x0 e marcar seu terceiro gol no torneio.

O próximo desafio, contra o Japão, exigirá mais do jogo coletivo do Brasil. A seleção japonesa é organizada, atua em um 3-4-3 bem definido e possui alas agressivos, sendo capaz de alternar entre transições e proposição de jogo. Será um teste de fogo para o modelo de transições rápidas de Ancelotti. Os japoneses possuem um jogo coletivo mais maduro, sob o comando de Hajime Moriyasu desde 2018, o que demandará intensidade e marcação ferrenha. Embora o Japão tenha maior repertório tático, a seleção brasileira conta com talentos individuais superiores e maior poder de decisão, fatores que podem ser determinantes em confrontos eliminatórios.

Iago Nunes - Comentarista esportivo da equipe esportiva Toque de Primeira da Rádio Juazeiro.