Artigo - Brasil vence Haiti por 3 a 0, mas atuação ainda deixa dúvidas sobre o coletivo

O Brasil venceu o Haiti por 3x0 na última sexta-feira (19/06/26). A vitória foi construída com facilidade ainda na primeira etapa.

Matheus Cunha, que assumiu a vaga de titular no lugar de Igor Thiago, marcou dois gols. Vinícius Júnior selou o placar no Lincoln Financial Field, na Philadelphia. No entanto, o jogo coletivo da seleção ainda não empolga.

Carlo Ancelotti realizou mudanças na estrutura da equipe, mantendo o 4-3-3, porém reorganizando o meio de campo fazendo um tripé com Casemiro na base, Bruno Guimarães pela direita e Paquetá na esquerda. No ataque, Raphinha ficou mais fixo pelo lado direito, Vinícius Jr. pela esquerda e Matheus Cunha centralizado, mas com liberdade de movimentação, não ficando fixo entre os 3 zagueiros da seleção haitiana.

Essas mudanças surtiram efeito no primeiro tempo, pois com o time mais organizado em campo, muitas vezes Matheus baixava e atuava como um meia, aproveitando o espaço entre as linhas de defesa haitianas, fazendo a ligação entre meio e ataque, situação que ficou evidenciada no primeiro gol, onde o próprio recuou, recuperou a posse já acionando Vinícius que pode realizar o drible, finalização e no rebote do goleiro Placide, o camisa 9 do Brasil marcou seu primeiro gol na partida.

A partir do primeiro gol, o Haiti ofereceu à seleção brasileira o espaço necessário para atacar em transição rápida. A desorganização do adversário, que possui limitações técnicas flagrantes, também contribuiu. O Haiti alterou seu esquema tático do 4-4-2 para o 5-4-1, mas os encaixes de marcação falharam. Houve perseguições individuais longas dos zagueiros, sem cobertura, com muito espaço entre linhas e pouca pressão.

Erros técnicos graves também ocorreram, como no segundo gol. Casimir errou o domínio e Paquetá recuperou a bola, passando para Vinícius. Este acionou Matheus Cunha, que atacou a profundidade e finalizou forte para ampliar. O terceiro gol seguiu o mesmo roteiro: a seleção recuperou a posse, acelerou, e Vinícius Júnior saiu na cara do gol para definir a partida.

Todavia, a atuação não empolgou, pois o Brasil continua tendo dificuldades em pressionar o adversário, isso evidente no primeiro tempo, onde o Haiti teve algumas posses mais longas, conseguindo trocar passes com maior tranquilidade, inclusive com o conjunto brasileiro tendo que marcar e linha média pela falta de intensidade e coordenação no perde e pressiona com linhas mais altas.

Na segunda etapa, o Haiti sai de um 5-4-1 para um 4-3-3 atacando e 4-4-2 defendendo, subindo suas linhas para pressionar a saída de bola do Brasil, gerando dificuldades para a seleção, que muitas vezes utilizou de lançamentos e passes mais longos para tentar superar essa nova estrutura de marcação haitiana, situação que chamou a atenção, porque a seleção deveria ter encontrado mais soluções para superar uma pressão que nem era muito bem coordenada. Soma-se a este fato, o ritmo mais lento do Brasil na segunda etapa, gerando um jogo mais lento, onde basicamente as jogadas de contra-ataque aconteciam com Rayan, que entrou bem no lugar de Raphinha, que saiu machucado, participando das principais ações ofensivas do Brasil, colocando Douglas Santos na cara do gol, dando assistência para o gol bem anulado de Endrick, o efeito disso são no número de finalizações na segunda etapa que ficou 7x2 para o Haiti, com Alisson tendo que fazer boas defesas.

Portanto, o Brasil fez o necessário para vencer e encaminhar sua classificação para a próxima fase, no entanto, a primeira colocação não está garantida, pois Marrocos venceu a Escócia por 1x0 e tem 4 pontos assim como o Brasil, a diferença está no saldo, 3x1 para a equipe sul-americana. Dessa forma, se a seleção não vencer seu último jogo ou ganhar e Marrocos vencer o Haiti por um saldo de gols maior que a seleção brasileira, a equipe africana terminaria na primeira posição do grupo.

Por fim, o Brasil evoluiu da primeira para a segunda rodada, porém ainda está longe de ter um jogo coletivo forte que lhe permita almejar o título da Copa do Mundo 2026. Para tal, será necessário que essa evolução seja mais acentuada, trazendo um jogo coletivo mais estruturado, competitivo, potencializando o jogo de transição com maior intensidade e poder de marcação. Dessa forma, o Brasil pode encontrar o caminho para disputar com as principais seleções da copa o título, algo que hoje ainda está distante.

Iago Nunes - Comentarista esportivo da equipe esportiva Toque de Primeira da Rádio Juazeiro.