Leitor denuncia impedimento da base do Petrolina de participar de competição em Juazeiro. Clube diz que não foi convidado

Em mensagem por e-mail ao blog Rede GN um leitor que pediu para não ser identificado reclamou do fato de uma decisão da diretoria do Petrolina Social Clube impedir a participação dos atletas da Base de participarem de uma competição em Juazeiro (BA).

Confira o texto: Retrato do Egoísmo no Futebol de Base: Base do Petrolina ameaça desligar garotos que jogarem a Copa em Juazeiro

Nos próximos dias, o Vale do São Francisco será o centro das atenções do futebol de base com a realização de um grande torneio em Juazeiro (BA), idealizado pelo jogador Petros. O evento promete parar a região, trazendo inclusive observadores técnicos da Europa. Uma chance de ouro para qualquer menino que sonha em vencer na vida através da bola.

Mas, infelizmente, o extracampo resolveu intervir na festa dos  jovens da base.

Em uma decisão que mistura vaidade, falta de planejamento e um autoritarismo assustador, a diretoria da base do Petrolina proibiu seus atletas de participarem da competição. E o pior: o recado interno foi claro e impiedoso: quem descumprir a ordem e for jogar o torneio por outra escolinha será sumariamente desligado do clube.

Como  observador do mercado esportivo, preciso dizer: essa postura é um absurdo jurídico, técnico e humano.

O erro foi do clube, a punição foi para os meninos.

A verdade precisa ser dita: o Petrolina só ficou de fora da competição porque sua própria gestão de base  não conseguiu inscrever o clube a tempo.

Em vez de assumir o erro logístico e apoiar a garotada para que eles pudessem, ao menos individualmente, aproveitar a vitrine de ter olheiros europeus na cidade vizinha, a direção optou pelo pior caminho. Movido pelo provável receio de ver seus atletas brilhando fora do "seu guarda-chuva", o clube preferiu trancar as portas do futuro dos meninos.

A fragilidade da "Ameaça de Desligamento".

Sob a ótica do Direito Desportivo, essa ameaça de punição é vergonhosa por três motivos:

Abuso de Poder: O clube não é dono da vida do atleta. Salvo contratos profissionais ou de formação rigidamente registrados (o que raramente se aplica à totalidade de uma base regional),todos os atletas fizeram um contrato? o vínculo do jovem com o clube é pedagógico. Proibir o garoto de jogar em seu tempo livre ou contraturno escolar é um cerceamento ilegal.

Miopia Comercial: Se um menino do Petrolina se destaca na Copa em Juazeiro e vai para a Europa, o próprio Petrolina lucraria no futuro com o mecanismo de solidariedade da FIFA. Bloquear essa chance é ir contra os interesses financeiros do próprio clube.

O "Não Vencerás" por Vaidade: O uso do poder diretivo para punir o direito de ir e vir de jovens atletas configura clara perseguição e desvio de finalidade.

Conclusão: Quem defende o sonho desses jovens?

Ameaçar desligar um jovem porque ele quer ser visto por um olheiro internacional não é gestão; é egoísmo. Fica aqui o espaço aberto para que a diretoria da base do Petrolina repense essa decisão e entenda que o futebol do Vale do São Francisco só cresce quando os nossos talentos voam alto, e não quando são trancados na gaiola do orgulho de quem deveria apoiá-los.

A reportagem manteve contato com Lucas Miranda, responsável pela equipe de base do Petrolina, confirmou que a decisão partiu pelo fato de que a equipe não foi convidada e como os atletas recebem uma bolsa de estudo, não podem representar outra agremiação.

Da redação Rede GN