Valores cobrados de transmissão da Copa 2026 dobram e afastam rádios. Radialista Tony Martins opina

Quem é apaixonado por Rádio não terá as transmissões da Copa de Futebol Mundial escutadas pelo "velho companheiro maior em emoção". As partidas da Copa do Mundo começaram a ser acompanhadas ao vivo pela televisão em 1970, ano do tricampeonato mundial do Brasil.

Até 1966, as transmissões eram realizadas apenas pelo rádio. Com o passar dos anos, muitas dificuldades passaram a existir, afetando a presença do setor na competição de seleções mais badalada do futebol. 

Entre os principais fatores que prejudicaram o alcance do Rádio está a cobrança dos direitos de exibição e reprodução de conteúdo, conforme a Lei de Direitos Autorais (9.610/1998). Estações tradicionais como a Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro e a Jornal, do Recife, já confirmaram ausência no torneio por não concordarem com as altas cifras exigidas pela Fifa. A Rádio Tupy vai completar 91 anos no próximo mês de setembro.

O valor dos direitos de transmissão da competição cobrado pela entidade é de US$ 500 mil, o dobro do preço exigido no Mundial do Catar em 2022.

A REDEGN enviou solicitação de nota oficial da Rádio Tupy mas até o momento não recebeu resposta.  A REDEGN ouviu o pedagogo, escritor e radialista esportivo, Tony Martins.

Tony Martins escreveu o livro, intitulado “A Importância do futebol de Juazeiro para a organização geográfica e social da cidade” registrando um rico acervo de pesquisa feito ao longo de sua trajetória profissional  no vale do São Francisco.

O profissional diz que a Rádio Tupy reúne até hoje os "nomes mais talentosos radiallistas esportivos, exemplo, José Carlos Araujo".

"A transmissção de jogos através da Rádio é mais emocionante. Infelizmente ficou muito caro o valor das transmissões e fico muito triste em não ter a transmissão da Rádio Tupy. A transmissão do Rádio tem o pré-jogo, o jogo e o pós jogo. Sem o Rádio a Copa do Mundo do Futebol fica mais probre", avalia Tony Martins.

A Super Rádio Tupi está fora da cobertura da Copa do Mundo de 2026 devido ao alto custo dos direitos de transmissão exigidos pela FIFA. O alto preço estipulado pelos direitos impediu a emissora de viabilizar a transmissão esportiva. A informação foi confirmada pelo colunista Flávio Ricco e repercutida no meio de comunicação esportiva.

No entanto, a Tupi deverá ter um profissional cobrindo o que acontece no principal torneio esportivo mundial. Eraldo Leite, que comanda o Enquanto a Bola Não Rola, está confirmado na cobertura.

A Copa de 2026 será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho, com sede nos Estados Unidos, México e Canadá. Apesar dos desafios financeiros, algumas rádios conceituadas no cenário esportivo estarão presentes, como é o caso da Bandeirantes, BandNews FM, Jovem Pan, Sistema Globo, Itatiaia, Gaúcha, Energia 97 e TMC.

Os números da Copa do Mundo de 2026 não cabem em um campo de futebol. A entidade que organiza o torneio nos Estados Unidos, Canadá e México projeta receitas diretas de US$ 10,9 bilhões — um salto de 56% sobre os US$ 7 bilhões gerados no Catar em 2022. Os direitos de transmissão sozinhos devem render algo entre US$ 3,92 e US$ 4,2 bilhões. Os patrocínios passam de US$ 2,8 bilhões, com a FIFA anunciando lotação esgotada de vagas comerciais. E a bilheteria, somada à hospitalidade, pode chegar a US$ 3 bilhões, contra cerca de US$ 950 milhões no Catar — uma alta de 216%.

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