Artigo - Quando a ignorância ganha microfone, a verdade precisa ganhar voz

Hoje não é sobre uma cidade.
É sobre respeito.

É sobre pertencimento.

É sobre o que acontece quando alguém, sem raiz... sem vivência... sem sensibilidade... resolve transformar realidade em espetáculo.

Nos últimos dias, assistimos a mais um desses episódios que dizem muito mais sobre quem fala... do que sobre o lugar de que se fala.

Um sujeito de passagem, desses que acumulam carimbos no passaporte, mas não colecionam profundidade, resolveu olhar Juazeiro com olhos rasos.

E como todo olhar raso... viu pouco.

Pior: falou como se tivesse visto tudo.

Reduziu uma cidade inteira a fragmentos de deficiência.

A recortes de descuido.

A uma narrativa pobre... construída para gerar reação, não reflexão.

E aqui cabe uma verdade antiga, dessas que não envelhecem:

a um insensato se dá estrada...
mas ao nosso povo, que conhece sua própria história, cabe oferecer consciência.

Consciência para não transformar provocação em guerra.

Consciência para não permitir que o raso determine o valor do que é profundo.

Consciência, sobretudo, para não esquecer quem somos.

Porque Juazeiro não cabe nisso.

Juazeiro não cabe em vídeo curto.

Juazeiro não cabe em opinião apressada.

Juazeiro é o que se sente.

É o calor humano que não cabe em vídeo.
É o riso fácil, a conversa aberta, a alma viva que acolhe sem perguntar de onde você vem.

Juazeiro é gente.

E gente não se edita.

É o tipo de lugar que não se mede por lentes...mas por vínculos.

Por presenças.

Por aquilo que só quem vive... entende.

Mas Juazeiro também é efervescência.

É cultura pulsando.

É berço de talentos que atravessaram o Brasil e o mundo , como João Gilberto, eternizado na música... como Ivete Sangalo, que levou sua voz e sua alegria para além de qualquer fronteira... como Manuca Almeida e tantos outros nomes que brotaram dessa terra fértil de expressão, de arte, de identidade.

É poesia.

É história viva.

É um povo que não apenas existe , se manifesta.

Juazeiro não se explica.

Juazeiro se vive.

E Petrolina?

Petrolina é força.

É construção diária.

É organização que se impõe.

É crescimento que salta aos olhos.

É o vigor do seu empresariado.

É a presença firme na política.

É a capacidade de avançar, de estruturar, de projetar futuro.

Mas há algo que muitos parecem esquecer , ou, talvez, nunca tenham entendido:Petrolina e Juazeiro não disputam espaço.

Elas dividem destino.

São duas cidades separadas por um rio... e unidas por algo muito maior que geografia e a Presidente Dutra.

Unidas por histórias entrelaçadas.

Por famílias que atravessam a ponte como quem atravessa a própria rotina.

Por vidas que não reconhecem fronteiras... porque nunca precisaram reconhecer.

Criar rivalidade entre essas duas cidades é, no mínimo, ignorância.

No máximo... má-fé.

E, acima de tudo, é alimentar algo que não nos pertence.

Não cabe bairrismo onde existe complementaridade.

Não cabe divisão onde existe vínculo.

Porque quem conhece sabe.

Quem vive sente.

Quem pertence... não compara.

Defende.

E é justamente aqui que a consciência se impõe mais uma vez:

não é sobre responder ao insensato na mesma moeda...

é sobre não se tornar aquilo que ele representa.

Não será um vídeo superficial...
não será uma fala vazia...
não será um "influenciador" de ocasião...

que vai reescrever a identidade de um povo.

A identidade não nasce no algoritmo.

Ela nasce na vivência.

Se sustenta na memória.

E se fortalece no respeito.

Por isso, talvez, o maior risco não esteja no que foi dito.

Mas no que fazemos com o que foi dito.

Se alimentamos o conflito...
ou se reafirmamos quem somos.

Porque, no fim das contas...

Juazeiro é alma.

Petrolina é força.

E juntas... são algo que nenhum olhar apressado será capaz de compreender.

Rivelino Liberalino OAB/PE 534/B - Advogado militante nas áreas cível e trabalhista, pós graduado em Direito Tributário pelo IBPEX- Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão.