Efeito ‘O Agente Secreto’ Juazeiro e Petrolina: símbolos culturais presentes no filme viram sucesso de público

Um dos fenômenos mais notáveis da última temporada foi o que podemos chamar de “efeito ‘O Agente Secreto’” em diferentes lugares, nomes e símbolos, desde patrimônios agora imortalizados. E isso pode ser apenas o começo, já que a cerimônia do Oscar 2026, que ocorre neste domingo, dia 15, pode premiar o Brasil com sua segunda estatueta consecutiva e tornar esse impacto do cinema pernambucano ainda mais duradouro.

Reportagem do Diário de Pernambuco mostra que é impossível pensar nesse efeito sem citar o aumento na procura pelo Cinema São Luiz, em Recife Pernambuco. O equipamento, que se tornou há muitos anos um símbolo da resistência dos cinemas de rua e é um dos principais cenários da trama, foi responsável por mais de 11 mil espectadores da obra.

“Todas as sessões do filme, desde a estreia em novembro do ano passado, têm sido lotadas. E conquistamos esse número incrível operando apenas com a parte de baixo do cinema durante as sessões regulares, já que é preciso uma operação muito maior e mais complicada para utilizarmos o balcão, reservado para ocasiões especiais”, explica ao Diario o programador do cinema, Pedro Severien.

A experiência de ver o filme de Kleber Mendonça Filho na sala é muito procurada até mesmo por pessoas que já o assistiram em outros lugares, e isso tem gerado, inclusive, o primeiro contato de alguns espectadores com o Cinema São Luiz.

“Já é um feito histórico extraordinário o fato de toda uma nova geração estar construindo uma memória com esse espaço justamente a partir da obra de Kleber, que faz dele um personagem central. Os vitrais acendem em todas as sessões do filme, na cena em que aparecem dentro da tela, e isso sempre cria uma comoção linda de ver”, acrescenta o diretor. “Estamos com a ideia de manter o filme em cartaz por tempo indeterminado e espero que a gente consiga”.

Já as camisas da Pitombeira, usadas no filme por Wagner Moura, transformaram o bloco que já tem 78 anos de história em um dos principais símbolos recentes do cinema brasileiro. Hermes Neto, atual presidente da agremiação, ressalta o aumento significativo de venda das peças após o lançamento do longa, em novembro.

“Nossa estimativa atualizada é a de que vendemos mais de 15 mil camisas este ano”, explica. O número representa um crescimento de 900% nas vendas das camisas da Pitombeira que, em outros anos com boa saída, chegava a vender cerca de 1.500 camisas, segundo o gestor.

Hermes relembra ainda a ansiedade antes da organização da Pitombeira colocar o bloco na rua em um ano com tanta expectativa. “Tentamos importar algumas cenas do filme inclusive para o cortejo e ficamos muito satisfeitos em ver que tudo aquilo que conseguimos realizar foi bem aceito pelo público”, celebra.

“Nossa equipe foi praticamente a mesma, mas claro que, pela quantidade de gente esperada, demos uma pequena reforçada na segurança, principalmente para o momento do carro alegórico. Deu para notar como veio gente de fora do estado para aplaudir a gente. Sempre fomos um símbolo muito importante do carnaval pernambucano, mas agora viramos também estrelas de cinema”, festeja.

Juazeiro e Petrolina também tem mostrado esses simbolos culturais. Confira reportagem REDEGN-Caiu a ficha: Campus III Uneb Juazeiro possui relíquia de um orelhão. A foto é do dia 01 de fevereiro de 2026 e mostra Regivaldo José da Silva, Doutorando em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB, Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia - UFBA,  homenageando a cena do filme, o Agente Secreto.

Graduado em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Bahia, UFBA, Regis como é conhecido, além de usar a camisa Pitombeira relembra o tempo de uso dos orelhões e a famosa frase: a ficha caiu.

"Vamos torcer com fé para o Oscar vir para o Brasil. Não merecemos essa injustiça. Vi todos os filmes indicados e Wagner Moura merece demais", finalizou Regis.

 

redegn Foto cortesia Regis Silva