A concorrência que o consumidor imagina existir em uma cidade com diversificação de postos de combustíveis, em muitos casos é apenas aparente. Um levantamento divulgado na última quarta-feira (4) pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) mostra que postos com bandeiras diferentes — e até com fachadas distintas — podem pertencer ao mesmo grupo empresarial. O estudo analisou 44.414 postos em 5.516 municípios brasileiros e concluiu que a estrutura de mercado no setor de combustíveis é mais concentrada do que parece.
Para chegar a essa conclusão, o Cade cruzou os registros da Agência Nacional do Petróleo (ANP) com dados societários da Receita Federal. Sempre que dois ou mais postos compartilhavam algum sócio, foram considerados um único agente econômico, independentemente da bandeira exibida na bomba. O resultado revela um nível de concentração relevante em várias regiões do país — e particularmente no Nordeste.
Dos nove estados nordestinos, sete apresentam mais municípios com mercados altamente concentrados do que a média nacional de 59,8%. Pernambuco aparece como o caso mais extremo do Brasil no diesel S500: 89,5% dos municípios vendem o combustível em mercados dominados por poucos grupos econômicos.
Outros estados da região também registram índices elevados. Na Paraíba, 79,9% dos municípios têm mercado altamente concentrado na gasolina comum. No Rio Grande do Norte e em Sergipe, o percentual supera 77% em três dos quatro combustíveis analisados. Piauí e Alagoas também aparecem com concentração expressiva, sobretudo no etanol e no diesel.
Fortaleza tem 318 postos, mas os cinco maiores grupos empresariais da cidade participam de 25 postos cada. Em Teresina, são 226 postos. Os cinco maiores grupos também têm participação uniforme: 33 postos cada, com predominância da bandeira Vibra.
A economista-chefe do Cade, Lílian Marques, destacou no lançamento do estudo que ainda falta ao consumidor compreensão sobre os vínculos econômicos entre as redes, o que impacta diretamente a concorrência percebida.
Desde 2018, o Cade recomenda que os postos sinalizem de forma visível a quem pertencem e quantos outros estabelecimentos o mesmo dono controla. A medida ainda não foi implementada. O mercado de combustíveis foi eleito área prioritária de fiscalização pelo Cade para 2025 e 2026.



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