
A primeira sessão legislativa do ano, da Câmara Municipal de Petrolina, realizada na quinta-feira, 5 de fevereiro, já começou marcada por um episódio grave: vereadores da base do prefeito Simão Durando votaram contra um requerimento de autoria do vereador Professor Gilmar Santos (PT) que cobrava transparência, critérios públicos e pagamento justo na contratação de artistas para o Carnaval de Petrolina 2026.
A REDEGN fez contato com o professor e vereador Gilmar Santos. O Requerimento nº 007/2026, apresentado pelo vereador Professor Gilmar, surge após denúncias feitas por diversos artistas da região, que questionaram a forma como foi definida a programação artística do evento. O pedido solicita informações detalhadas sobre o processo de escolha das atrações, realizado por meio de um Termo de Fomento com a Associação Integrada de Turismo na RIDE, sem a realização de chamamento público, o que levantou dúvidas sobre a transparência e a participação dos artistas locais.
Gilmar Santos citou e comparou o tratamento dado pela Prefeitura de Juazeiro, de acordo com ele, "é positiva em relação as contratações e valorização dos artistas no último carnaval antecipado de Juazeiro 2026".
“Quero parabenizar o Carnaval de Juazeiro, por valorizar as suas raízes, as suas origens e por defender os nossos artistas locais. Muitos desses artistas se apresentaram no Carnaval de Juazeiro e elogiaram bastante o tratamento dado pela gestão municipal”, disse Gilmar Santos.
O vereador critica a condução da política cultural em Petrolina, que, segundo ele, é diferente da adotada em Juazeiro. “Os artistas de Petrolina vêm sendo bastante maltratados pelo grupo político que comanda a prefeitura”, declarou.
Por este motivo o vereador solicitou pedido a Prefeitura de Petrolina que responda:
os critérios objetivos utilizados para a escolha dos artistas;
quem foi responsável pela curadoria artística e quando a grade foi considerada “fechada”;
a ausência de chamamento público ou credenciamento;
a falta de diálogo com o Conselho Municipal de Cultura;
o papel da Secretaria Executiva de Cultura.
O vereador também chamou atenção para os baixos cachês pagos a artistas locais, sobretudo em comparação com valores praticados em cidades vizinhas, como Juazeiro-BA. Com a repercussão das denúncias, artistas de Petrolina estiveram presentes na sessão, ocupando a Câmara para cobrar respeito, valorização e tratamento digno por parte do poder público.
O parlamentar afirma que a condução da política e cultural do município segue subordinada aos interesses do grupo político liderado pela família Bezerra Coelho, hoje representado pelo prefeito Simão Durando e por figuras que historicamente concentram decisões, recursos e influência sobre os grandes eventos da cidade.
Ao justificar a cobrança, Professor Gilmar Santos reforça que trata-se de trabalhadores e trabalhadoras da cultura que, a cada grande evento em Petrolina, veem seus direitos serem ignorados. Não por falta de talento, não por falta de reconhecimento, mas por falta de uma política pública que trate a cultura com seriedade.
“Esse modelo transforma a cultura em instrumento político, exclui artistas locais, impõe cachês baixos e ignora instâncias de participação social. O que estamos pedindo aqui é compromisso. Compromisso com os artistas, com o público, com o dinheiro público e com a democracia”, reforça Gilmar.
Diante da recusa em prestar esclarecimentos, o Mandato informa que acionará o Ministério Público, além de seguir cobrando formalmente respostas da Prefeitura e dos órgãos responsáveis. O objetivo é impedir que a ocultação de informações se torne prática comum na gestão cultural do município.
“O que está em jogo não é apenas o Carnaval. É o direito da população de saber como o dinheiro público é usado e o direito dos artistas de serem tratados com dignidade. Não vamos recuar”, conclui o vereador.
redegn Foto redes sociais



1 comentário
10 de Feb / 2026 às 11h50
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