
No exercício da minha profissão como advogado e na minha vivência como cidadão baiano, percebo que uma das maiores feridas da nossa sociedade nasce de uma confusão linguística e conceitual: a incapacidade de distinguir política de politicagem.
Frequentemente, ouço pessoas dizerem que "odeiam política" ou que "política não se discute". No entanto, o que elas geralmente repudiam não é a política em si, mas a sua deturpação.
A Nobreza da Política
A política, em sua essência mais pura, é a arte do diálogo e a gestão do bem comum. É a ferramenta que utilizamos para organizar a vida em sociedade, definir prioridades orçamentárias, garantir direitos fundamentais e estruturar a justiça. Sem a política, estaríamos sob o domínio da força bruta.
Quando discutimos o preço do combustível na bomba em Juazeiro, a qualidade da saúde em Salvador ou os direitos trabalhistas previstos na CLT, estamos fazendo política. Ela é o oxigênio das instituições democráticas e o único caminho legítimo para a transformação social.
O Câncer da Politicagem
A politicagem, por outro lado, é o oposto exato. Ela não busca o bem comum, mas o benefício próprio, o clientelismo e o favorecimento de grupos restritos. A politicagem é o terreno da troca de favores escusos, das promessas vazias e do uso da máquina pública como se fosse propriedade particular.
Enquanto a política constrói pontes e hospitais, a politicagem constrói esquemas. Enquanto a política debate ideias, a politicagem destrói reputações. É essencial que o brasileiro compreenda que a politicagem sobrevive justamente do afastamento do cidadão de bem. Quando nos omitimos da política por "nojo", deixamos o caminho livre para que os "politicantes" ocupem todos os espaços.
A Responsabilidade do Cidadão Brasileiro
Como operador do Direito, entendo que as leis são o esqueleto de uma nação, mas a política é o que lhe dá vida e movimento. Não basta apenas conhecer a letra da lei; é preciso entender quem a escreve e por que a escreve.
A compreensão política é um dever cívico. Saber a diferença entre esses dois conceitos permite que o eleitor identifique o estadista e descarte o oportunista. Significa entender que o voto não é um favor nem uma mercadoria, mas uma procuração com poderes para decidir o nosso futuro e o de nossos filhos.
Conclusão
Precisamos resgatar a dignidade da política brasileira. Isso começa no momento em que cada um de nós assume o papel de fiscal e participante ativo. Não permita que o desânimo causado pela politicagem o impeça de exercer a sua força política.
O Brasil que sonhamos — mais justo, ético e próspero — não será construído por quem se omite, mas por aqueles que, compreendendo a mecânica do poder, escolhem a política como instrumento de justiça e a ética como bússola de suas ações.
Rubnério Araújo Ferreira



1 comentário
25 de Jan / 2026 às 05h36
Excelente o texto, nota 10. Muitos terão dificuldade para refletir, mas é isso que acontece em Juazeiro da Bahia, fui um candidato insistente por muitos anos, concorri várias eleições sem dispor de somas volumosas de recursos financeiros, com certeza esse fato me fez perder várias eleições, até que desistir, porque o que tinha como ferramenta, era propostas, que poderia se transformar em projetos para Juazeiro, para a Bahia, hoje trabalho na cidade vizinha como servidor público, oportunidade que busquei por maio do concurso público para socializar minhas ideias. Juazeiro vive da politicagem.