
A final do Mundial coloca frente a frente duas potências dos continentes europeu e sul-americano. De um lado, o Paris Saint-Germain, um clube parisiense com certa tradição, mas sem história de grandes conquistas.
Nos últimos anos, se tornou um quase gigante moldado artificialmente pelo poder dos petrodolares de um patrocinador-Estado, o Catar, país que será palco do extraordinário duelo marcado para esta quarta-feira, 17.
Do outro, o Flamengo, forjado nas massas. Popular e midiático desde quando seis jovens aventureiros da Praia do Flamengo (nome inspirado nos navegadores holandeses que por lá chegaram séculos atrás com seus "cabelos de fogo", os flamengos) resolveram que iam se tornar remadores para impressionar as moças que suspiravam com os rapazes nas regatas da então capital da recém fundada República.
Uma agremiação esportiva que nasceu para vencer, vencer, vencer em terra e mar e se deixar amar à vontade. Nascido do chão batido, do suor anônimo, da fé que atravessa gerações.
Um clube que pulsa a mais pura paixão nascida no seio das massas, sem controle, espontânea e avassaladoramente.
Será mais que uma decisão de futebol. Será um duelo simbólico entre a alegria espontânea e a frieza calculada, entre a poesia que brota do povo e a força que nasce do poder estatal. O Flamengo carrega em si a vibração de uma gente sofrida, que encontra na camisa rubro-negra o alimento da alma, como quem sacia a fome com um prato simples de feijão com arroz, conquistado no suor da luta diária. Amar o Flamengo é projetar nele a vitória possível na vida, muito além das quatro linhas.
Esse clube é ungido por um amor que arde em flamas eternas. Um amor que canta, que sorri, que sofre e que nunca se apaga. A Nação veste o "manto" rubro-negro com devoção, como quem veste a própria identidade e pede o mundo mais uma vez. Não importa quão poderoso seja o adversário. Não importa o tamanho do investimento ou do nome estampado do outro lado.
O Flamengo é colossal porque não caminha sozinho. Há uma nação inteira ao seu lado. Há uma camisa que enverga varais em qualquer lugar do planeta, tremulando em becos, avenidas, estádios e corações.
O Flamengo celebra a alegria e o bem viver com festa, raça, amor e paixão. E quando a bola rolar na final do Mundial, não será apenas um time em campo. Será um povo inteiro dizendo, em uma só voz, que sonhar é um direito e conquistar taças, uma vocação.
O Mengo sou eu, o Mengo é você. Vamos Flamengo!
Luiz Hélio Poeta é escritor e jornalista, autor dos livros "Mengo Meu Dengo - Uma Paixão Sem Fronteiras" (2013) e "Onde Estiver, Estarei - O Flamengo no Brasil e no Mundo" (2022).



0 comentários