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"Vivo a base de medicamentos por causa das sequelas da covid-19". O depoimento da técnica de enfermagem Maria Lúcia Vieira de Pádua, 54 anos, que desenvolveu um problema cardiovascular por conta da doença, retrata a realidade de milhares de pessoas. Apesar de a pandemia da covid-19 ter passado, as dores causadas por sequelas e mortes ainda perduram. pessoas ainda morrem da doença, segundo dados da Secretaria de Saúde (SES).
Especialistas ouvidos alertam para os riscos da doença e para a importância de manter a vacinação em dia, especialmente no caso de idosos e pessoas com comorbidades, que têm mais chances de desenvolver sequelas.
Maria Lúcia teve covid-19 três vezes, sendo a última em julho deste ano, quando já estava vacinada. "Fiquei com pressão alta e com uma alteração no coração, sequelas para o resto da vida. Além de viver à base de medicamentos, adquiri ansiedade por conta de todos esses problemas de saúde", relata. A realidade da técnica de enfermagem é uma prova de que a doença ainda afeta, de forma significativa, os moradores em várias partes do Brasil.
Segundo especialistas, a melhor forma de prevenção ainda é a vacinação. "O tratamento que a gente tem disponível na rede pública é mais do que suficiente e está de acordo com a melhor prática internacional. A gente tem vacinas atualizadas e disponibilidade de medicações para tratamento específico da doença. O que temos é suficiente para se conter um novo surto", diz o coordenador da Infectologia do Hospital Brasília, da Rede Américas, André Bon.
A vacina foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação de rotina para crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes e idosos, além de ser indicada anualmente para outros grupos prioritários.
Infectologista do Hospital de Base do DF (HBDF), Julival Ribeiro reforça a importância de pessoas que fazem parte do grupo de risco tomarem as doses de reforço da vacina todos os anos. "Idosos, pacientes imunossuprimidos, gestantes, puérperas, entre outras, precisam estar atentos a isso. Com o passar do tempo, essa imunogenicidade gerada pela vacina vai diminuindo e as pessoas vão ficando mais suscetíveis a uma nova infecção", alerta.
O médico afirma que entre 10% e 20% das pessoas que tiveram covid-19, apresentam covid longa, que é a persistência ou aparecimento de sintomas por pelo menos 12 semanas após a infecção inicial, sem explicações por outras condições médicas. "As principais manifestações clínicas em relação à covid longa são fadiga crônica, exaustão, alterações neurológicas, sintomas respiratórios, disfunções cardiovasculares, impacto psicológico, entre outras", informa Julival.
O infectologista André Bon ressalta que pacientes que apresentaram forma grave da doença e sintomas persistentes pós-covid também podem desenvolver sequelas como alterações na função pulmonar. "Pacientes com formas leves e moderadas da doença também não estão livres de sequelas, como brain fog, que é a lentidão do pensamento. Para as formas pulmonares graves, é preciso fazer fisioterapia e, na questão do brain fog, buscar atendimento médico para tratamento adequado", informa.
Redegn com informações Correio Braziliense Foto Agencia Brasil



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