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A Coordenação Geral da Comissão Intersetorial Pró Reforma Agrária (CIRA) no uso de suas atribuições Regimentais e conforme deliberação da reunião anterior, convoca todos os seus membros e convidados e a comunidade interessada para participar da 10ª Reunião Ordinária da CIRA do Ano de 2025 e 6ª Reunião com o MDA. A reuniã acontece na manhã desta quinta-feira (23).
SERVIÇO: Reunião Hibrida: Presencial na 3ª SR/CODEVASF, Centro Petrolina-PE
On-line, link a ser gerado pela CIRA.
ORDENHA DO DIA:
1) Concessão do uso da água para a irrigação do Projeto de Assentamento Terra da Liberdade;
2) Outros de interesse da CIRA;
Contaremos com as presenças dos superintendentes da CODEVASF, Dr. Edilázio Wanderley, do INCRA, Dr.
José Claudio da Silva, Gerente do DINC, Dr. Paulo Henrique Pessoa de Sales, representantes do P.A Terra da
Liberdade e por vídeo Conferência Representantes do INCRA NACIONAL e do MDA – Ministério de
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
Confira texto de Rosalvo Antonio da Silva-Licenciado em História pela UPE. Técnico em Saneamento pela ETF-PE. Coordenador de Comunicação e Relações Sociais do Conselho Popular de Petrolina (CPP) e Coordenador Geral da CIRA - Comissão Intersetorial Pró Reforma Agrária
Terra da Liberdade! Terra sedenta! Terra que brota esperança na bravura do seu povo!
À beira do canal de irrigação, a promessa de vida se torna uma ironia. O Projeto de Assentamento Terra da Liberdade, com 23 anos de existência, clama por uma gota de esperança. São 140 famílias, de mãos calejadas e corações esperançosos, lutando diariamente pela dignidade de plantar e produzir.
A água - símbolo universal da vida - tornou-se um luxo distante. O canal, construído para irrigar e trazer prosperidade, hoje é um lembrete cruel da ausência de políticas públicas efetivas. As plantas murcham, os sonhos se esvaem e a desesperança ameaça criar raízes mais profundas que a própria seca.
E há uma contradição que salta aos olhos: os canais construídos com recursos públicos deveriam servir, antes de tudo, aos que pouco têm para sobreviver - às famílias agricultoras que vivem da terra e produzem o alimento que chega à mesa do povo brasileiro. Entretanto, o que se vê é o contrário: obras públicas que, muitas vezes, beneficiam grandes empreendimentos, enquanto os pequenos produtores seguem à margem da própria água que ajudaram a conquistar.
A lógica se inverte, e o que era para ser instrumento de justiça social torna-se, paradoxalmente, símbolo de exclusão.
Quantas vidas foram sacrificadas nessa espera? Quantos sonhos se perderam, levados pelo vento, como as folhas secas das plantações que não resistiram? A luta pela água é, aqui, uma questão de vida ou morte. É a fronteira entre a dignidade e o abandono.
Enquanto os assentamentos padecem, o agronegócio floresce. Com amplo acesso a recursos e incentivos, representa o outro lado de um país dividido: de um lado, a luta e o sacrifício dos trabalhadores familiares; de outro, a prosperidade e os privilégios de quem concentra a terra e os lucros. Dois mundos que convivem lado a lado, separados pela desigualdade.
Mas há resistência. A CIRA - Comissão Intersetorial Pró Reforma Agrária vem promovendo o diálogo entre órgãos públicos, movimentos sociais e a sociedade civil, buscando soluções que garantam não apenas a sobrevivência, mas a justiça social e a dignidade das famílias assentadas. É uma chama de esperança que teima em não se apagar.
O P.A. Terra da Liberdade e tantos outros assentamentos da Reforma Agrária clamam por justiça, por água e por reconhecimento. Suas vozes ecoam nos sertões e nos canais, abandonados pedindo apenas o direito de viver e produzir com dignidade.
A pergunta que fica é: quem vai ouvir esses apelos?
Será que a voz dos trabalhadores familiares será silenciada pela indiferença,
ou ecoará forte o suficiente para mover consciências e transformar realidades?
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