
Capturado no dia 08; no dia 09 de outubro de 1967, ironicamente em uma sala de aula de uma pequena cidade perdida nos vales bolivianos, La Higuera; tiros, disparados "abaixo do pescoço para mostrar que houve resistência e enfrentamento", deram fim à vida do mais emblemático líder guerrilheiro do século XX.
Ferido, em péssimas condições físicas, subnutrido e com ataques repetidos da asma que o acompanhou pela vida inteira, Ernesto Guevara, o Che, recebeu o Sargento do Exército Boliviano, Mário Teran, sentando a um canto, amarrado.
De acordo com as próprias declarações do executor, que cumpria ordens do agente da CIA Felix Ismael Rodriguez, dadas ao comandante boliviano, o Coronel Perez; Che levantou-se e, mais que uma pergunta, afirmou:
"Você veio para me matar", com uma voz firme que parecia ecoar nas paredes da sala. Terán olhou para o chão sem responder. "O que os outros disseram?", perguntou Che, referindo-se ao restante de seus companheiros de guerrilha que tinham sido capturados e mortos nos dias anteriores. "Nada", respondeu Terán. O Che não pôde deixar de sorrir. "Eles foram corajosos!", exclamou.
Ele me disse: "Fique calmo e mire bem, você vai matar um homem!", contou o então suboficial à revista Paris Match em uma longa reportagem sobre o episódio.
Encerrava-se ali a vida do guerrilheiro e crescia o mito, as lendas e a aura que beira o misticismo. Até hoje, centenas de pessoas, peregrinam todos os anos para o local onde ele foi executado e em Cuba, milhares se reúnem para relembrar seus feitos na Revolução de 1958.
Após 68 anos, nós os sobreviventes daqueles fatídicos anos da segunda metade do século XX, que em algum momento da vida, fomos tocados pela urgente necessidade de mudar o Mundo, compreendemos porque o Che nos emociona, nos direciona, nos deu coragem e desassombro para sonhar a Utopia: Antes de ser o comunista, ele era um humanista. Entendia que a Revolução tem de mudar não apenas as relações de produção, mas modificar, por inteiro o Homem.
Esse Humanismo, essa entrega total à tarefa de cooperação social como forma de desenvolvimento, impulsionou Che e plantou raízes no mundo inteiro.
Hoje, quando pairam nuvens escuras sobre o futuro e fascistas mostram abertamente a cara; quando "líderes" patrocinam genocídios e são aplaudidos por ignorantes, quando a "informação" é manipulada por IA e a bússola da ação das massas é o Whatsapp e o Instagram, é impossível não lembrar Che.
Ainda há quem se sacrifique, ainda há quem renuncie ao conforto e a segurança (aqui uma lembrança, registro e admiração à Deputada Federal Luizianne Lins), ainda há humanidade entre mulheres e homens. E quero crer, ainda há coragem e determinação, para continuarmos na jornada para a mudança do Mundo.
Che vive!
Manoel Leão-Um velho sobrevivente



7 comentários
07 de Oct / 2025 às 09h18
Che Guevara o assassino mais cruel do século XX. Não matava só por ideologia, matava também por homofobia. Executou várias pessoas somente porque elas eram gays. Um Stálin das Américas. Infelizmente ainda há quem o admire. Talvez não conheça a história por completo ou se faz de maluco.
07 de Oct / 2025 às 11h19
Lendo esse texto fico a observar o quanto um viés ideológico coloca lentes no nosso olhar e cosmovisão do mundo. Che, Fidel, Lenen e Stalen entre outros revolucionários da esquerda fizeram as mesma coisas que o fascista Mussolini e o nazista Hitler fizeram, apenas com configurações ideológicas diferentes. Ambos os regimes: socialismo, comunismo, nazismo e fascismo foram ditaduras violentas, que mataram e perseguiram opositores, foram ultra nacionalistas, ateus, eugenistas, deixando um legado de miséria onde passaram. Mas as pessoas tem esse olhar romântico de figuras sombrias.
07 de Oct / 2025 às 16h20
Geraldo, nunca fiz qualquer comentário sobre minhas próprias escritas. Desta vez, talvez porque me sobre tempo na aposentadoria, comento: O primeiro comentário mistura a repressão estatal de Cuba, que realmente existiu entre 1965 e 1967, quando gays foram confinados em campos de trabalho forçado (UMAP), com ações atribuídas diretamente a Che, sem base em fontes históricas. Nesse período Che estava fora de Cuba, na África e na América Latina e não há registros que o responsabilizem diretamente por juízos ou execuções motivadas por homofobia.
07 de Oct / 2025 às 16h21
Continuando o comentário acima: O segundo tem razão ao apontar que regimes de esquerda e de extrema-direita cometeram atrocidades, mas erra ao colocá-los como se tivessem o mesmo perfil ideológico e métodos de extermínio. É verdade que tanto regimes comunistas (União Soviética de Stalin, China de Mao etc.) quanto fascistas e nazistas suprimiram liberdades, perseguiram opositores e empregaram violência de Estado.
07 de Oct / 2025 às 16h23
Continuando o comentário: No entanto, essa equiparação ignora diferenças cruciais: Ideologia - Comunismo busca a derrubada das classes em prol do internacionalismo; fascismo e nazismo promovem o nacionalismo agressivo. Política racial e eugenia - Nazismo e fascismo instituíram leis raciais e projetos de “higienização” com perseguição sistemática de minorias – algo ausente nos regimes comunistas, que não criaram políticas de eugenia de Estado.
07 de Oct / 2025 às 16h24
Continuando ainda o comentário: Escala e alvo da violência - O Holocausto nazista, o extermínio dos palestinos e a guerra racial e religiosa, presentes nas guerras da Europa no final do século XX, têm caráter genocida; as purgas stalinistas e os expurgos maoístas visavam principalmente adversários políticos, ainda que com altíssimas taxas de mortalidade.
07 de Oct / 2025 às 16h26
Finalizando o comentário: Religião e nacionalismo - Estados comunistas adotaram ateísmo de Estado e centralizaram o poder no partido, mas teoricamente se declaravam internacionalistas, ao passo que nazistas e fascistas exploram religião, igrejas, misticismo nacional e mitos de “race purity” para mobilizar populações. Os dois comentários refletem exatamente o que escrevi sobre nossos tempos: “a bússola da ação das massas é o Whatsapp e o Instagram”. Mais raso que isso, impossível.