
O SINDHOSFRAN – Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Serviços de Saúde do Vale do São Francisco, vem a público manifestar profunda preocupação com os atuais rumos da política de saúde pública adotada pelo Município de Juazeiro, especialmente no que diz respeito à relação institucional com os serviços credenciados, à estruturação da rede assistencial e à recente iniciativa de cogestão direta de unidades estratégicas de saúde por meio de edital. Juazeiro, enquanto sede de uma macrorregião que concentra alta demanda em urgência, maternidade e média complexidade ambulatorial, historicamente depende da complementariedade dos serviços privados e filantrópicos para o cumprimento das metas pactuadas no SUS.
A Prefeitura Municipal tem sido, até aqui, o principal agente fomentador dessas parcerias, viabilizando a continuidade dos serviços por meio de credenciamentos, contratos e repasses vinculados às demandas da população local e regional. Entretanto, o modelo adotado no edital em curso, voltado à cogestão da UPA Municipal, do Hospital Materno Infantil e de diversas Unidades Básicas de Saúde, não contempla mecanismos de integração com a rede já instalada, tampouco reconhece a expertise acumulada por clínicas e hospitais que, há décadas, contribuem diretamente para a cobertura assistencial no município.
Ao invés de fortalecer a rede existente, o novo modelo propõe uma centralização rígida da gestão – entregando, na prática, todas as frentes de execução e financiamento de custeio a uma única entidade selecionada, em regime fechado e com concentração de recursos.
Essa diretriz, além de comprometer a transparência e a lógica distributiva do SUS, impõe riscos reais de descontinuidade assistencial, estrangulamento econômico dos prestadores locais e esvaziamento técnico da rede complementar.
A consequência previsível é o colapso do ecossistema de saúde do município, com fechamento de leitos privados, demissões de profissionais de saúde, e perda de capacidade instalada – especialmente em um cenário de alta demanda, crescimento populacional e teto financeiro congelado há décadas.
Ademais, o novo modelo ignora que já existem serviços com comprovada capacidade de ampliação, custo menor por leito e resolutividade eficiente, cuja consolidação poderia se dar por meio de termos de parceria, convênios ou contratos por metas, sem necessidade de ruptura com a rede atual.
O cenário ideal, portanto, seria de integração inteligente, otimização de recursos e cogestão colaborativa, e não substitutiva. Neste contexto, o SINDHOSFRAN reitera seu apelo ao Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal, às autoridades da Secretaria de Saúde e aos membros do Conselho Municipal de Saúde, para que:
a) Reavaliem o modelo de cogestão proposto, garantindo transparência, diálogo com os
entes do setor e preservação da diversidade institucional da rede;
b) Estimulem modelos integrados de gestão pública-complementar, por meio de
consórcios, termos de fomento e instrumentos que valorizem a rede instalada;
c) Assegurem que a política de saúde pública seja norteada pelo interesse coletivo,
segurança assistencial e equilíbrio econômico entre os entes parceiros.
O SINDHOSFRAN reafirma seu compromisso com a população juazeirense e com o pleno funcionamento do SUS em sua forma tripartite e descentralizada, e se coloca à disposição para colaborar tecnicamente, juridicamente e institucionalmente para o aprimoramento das políticas públicas de saúde no município.
Em nota, a Secretaria de Saúde de Juazeiro (Sesau) informa que acolhe e respeita a demanda apresentada, reafirmando o compromisso da gestão em conduzir a saúde pública municipal de forma transparente e participativa.
A Sesau reitera que aposta no fortalecimento dos espaços de interlocução com todos os envolvidos: gestores, servidores, prestadores e usuários da saúde, compreendendo que esse diálogo é fundamental para o avanço do sistema de saúde no município.
Todas as decisões implantadas são pautadas em avaliações técnicas, com o objetivo exclusivo de assegurar cada vez mais eficiência, acesso e qualidade nos serviços e na assistência prestada à população.
SINDHOSFRAN



3 comentários
27 de Aug / 2025 às 22h24
Chegou a hora de Dedé da caixa pagar os financiamentos de campanha e botar a saúde na mão dos empresários (claro que tudo disfarçado)
27 de Aug / 2025 às 22h33
A maioria dos serviços de saúde são tripartida e, os recursos e confinanciamentos são repassados para prefeitura usar como bem entender, porém saúde realmente demanda de muitos recursos e organização. Todas as outras gestões não só de Juazeiro, mas praticamente de todo Brasil sofreram e irão sofrer com isso. Mas por politicagem o Dedé da caixa quer tirar o dele da reta e botar a culpa na cogestao, pq n vai mudar e ele sabe, mas na teoria a culpa não será dele. Sem desgastar a imagem já pensando no futuro.
27 de Aug / 2025 às 23h02
Terceirização da Saúde Pública e o Desmonte da Atenção Primária em Juazeiro da Bahia A Atenção Primária em Saúde (APS) é a porta de entrada prioritária do Sistema Único de Saúde (SUS) e responsável por garantir o acompanhamento contínuo, integral e humanizado da população. O município de Juazeiro da Bahia, por sua localização estratégica e perfil populacional, necessita de uma rede de Atenção Básica fortalecida, com equipes de Saúde da Família atuando em territórios urbanos, rurais e ribeirinhos, de modo a assegurar a universalidade e a equidade do cuidado. No entanto, observa-se a tendência