
O governo dos Estados Unidos revogou, os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e de Alberto Kleiman, ex-integrante da pasta e atualmente diretor da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para a COP30. Os dois participaram da concepção e operacionalização do programa Mais Médicos, atacado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Em publicação no X (antigo twitter), ele justifica a medida como uma consequência do endurecimento de medidas tomadas por Washington contra o regime de Cuba — de onde vieram vários profissionais da área de saúde para trabalhar no Brasil.
"O Departamento de Estado também está tomando medidas para revogar vistos e impor restrições de visto a vários funcionários do governo brasileiro e ex-funcionários da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) cúmplices do esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano. O Mais Médicos foi um golpe diplomático inconcebível de 'missões médicas' estrangeiras", postou Rubio, sob aplausos do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — que interagiu postando a seguinte mensagem: "Obrigado, secretário. O mundo livre conhece e apoia seu trabalho".
Segundo o governo dos EUA, Mozart e Kleiman intermediaram, via OPAS, o envio de milhares de médicos cubanos ao Brasil entre 2013 e 2018. "Usaram a OPAS como intermediária com a ditadura cubana para implementar o programa sem seguir os requisitos constitucionais brasileiros, driblando as sanções dos EUA a Cuba e, conscientemente, pagando ao regime cubano o que era devido aos trabalhadores médicos cubanos", afirma.
Ainda segundo o governo norte-americano, o modelo adotado à época "enriquece o corrupto regime cubano e priva o povo cubano de cuidados médicos essenciais". O documento menciona denúncias feitas por ex-participantes cubanos, que teriam relatado exploração e retenção salarial como parte do acordo firmado pelos governos de Brasília e Havana.
O Ministério da Saúde reagiu à nova agressão do governo do presidente Donald Trump ao Brasil. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o Mais Médicos salva vidas e é aprovado pelo povo brasileiro. "O Mais Médicos, assim como o Pix, sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja. O programa salva vidas e é aprovado por quem mais importa: o povo brasileiro", publicou também no X.
Padilha afirmou que o Brasil não vai recuar e que não vai se curvar "a quem persegue as vacinas, os pesquisadores, a ciência e, agora, duas das pessoas fundamentais para o Mais Médicos", além de ressaltar o trabalho de Mozart e Kleiman. O ministro lembrou que, nos últimos dois anos, o programa dobrou o número de profissionais da saúde. "Temos muito orgulho de todo esse legado que leva atendimento médico para milhões de brasileiros que antes não tinham acesso à saúde. Seguiremos firmes em nossas posições: saúde e soberania não se negociam. Sempre estaremos do lado do povo brasileiro", enfatizou.
Esta não é a primeira vez que o Mais Médicos é alvo de críticas dos EUA. Em 2020, o então secretário de Estado Mike Pompeo cobrou explicações da OPAS sobre o papel da entidade na operacionalização do programa brasileiro e acusou-a de facilitar "trabalho forçado".
Criado em 2013, no governo Dilma Rousseff, o Mais Médicos surgiu como resposta à ausência de profissionais da saúde em regiões periféricas e municípios de difícil acesso, sobretudo nas áreas mais pobres do país. Com a mediação da OPAS, médicos cubanos foram contratados para atuar no Brasil, o que provocou resistências políticas e corporativas. A oposição acusava o governo de desrespeitar a exigência de revalidação de diplomas e de alimentar financeiramente o governo de Cuba, por meio do pagamento indireto aos profissionais.
A participação dos cubanos no Mais Médicos foi encerrada em 2018, depois de declarações do então presidente Jair Bolsonaro levarem Havana a retirar seus profissionais do Brasil. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva refundou o Mais Médicos e retomou a proposta de ampliar a cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) nas regiões mais vulneráveis.
EDUARDO BOLSONARO: Em publicação no X, antigo Twitter, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comentou a recente decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto de entrada de servidores brasileiros que atuaram programa Mais Médicos.
De acordo com o parlamentar, a decisão reforça o compromisso da administração Trump em conter e punir regimes autoritários, como os de Cuba. Em um vídeo publicado minutos após o tweet, Eduardo Bolsonaro afirma que membros do governo Lula também estão na lista de servidores que tiveram os vistos revogados. “Cedo ou tarde, cada um de vocês do regime vai cair”, ameaça o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não adianta achar que os Estados Unidos vão esquecer”. Confira a publicação: ???????????? EUA anunciam mais restrições e perda de vistos para autoridades brasileiras!
Obrigado Presidente @realDonaldTrump e @SecRubio . pic.twitter.com/7Lw0EXVLzG
— Eduardo Bolsonaro???????? (@BolsonaroSP) August 13, 2025
Redegn com informações Correio Braziliense Foto Agencia Brasil



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