Coletivo de Artistas de Juazeiro questiona administração de Juazeiro: "Era para ser um tempo de avanço e valorização da cultura virou um cenário de retrocesso, dor e revolta".

Conforme publicado na REDEGN, dia 28, Uma nota encaminhada à redação da RedeGN pelo produtor e artista João Gilberto Guimarães, cobra da Secretaria de Cultura de Juazeiro, uma resposta sobre o porquê do cancelamento do edital Cultura Viva.

Além desse questionamento mais uma carta aberta nesta quarta-feira (29), assinada pelo Coletivo de Artistas de Juazeiro revela a insastifação dos artisas referente aos destinos do setor cultural do municipio.

"Era para ser um tempo de avanço e valorização da cultura virou um cenário de retrocesso, dor e revolta. Sem qualquer aviso prévio, o então secretário de Cultura deixou o cargo, e em seu lugar foi nomeado um servidor do Procon, alguém sem qualquer ligação com a história, as lutas e os anseios da cultura juazeirense. Uma nomeação que soa como afronta. Como se a cultura fosse um setor secundário, menor, que pode ser tratado com improviso e descaso", diz a nota.

Confira na integra: O CAOS NA CULTURA JUAZEIRENSE

Juazeiro vive hoje um dos momentos mais sombrios de sua história cultural. Um verdadeiro colapso tomou conta da gestão pública no setor, deixando artistas, produtores, grupos culturais e toda uma cadeia criativa mergulhados na incerteza, na indignação e no abandono. 

O que era para ser um tempo de avanço e valorização da cultura virou um cenário de retrocesso, dor e revolta.
Sem qualquer aviso prévio, o então secretário de Cultura deixou o cargo, e em seu lugar foi nomeado um servidor do Procon, alguém sem qualquer ligação com a história, as lutas e os anseios da cultura juazeirense. Uma nomeação que soa como afronta. Como se a cultura fosse um setor secundário, menor, que pode ser tratado com improviso e descaso.

O prefeito Andrei Gonçalves permanece em silêncio. Um silêncio ensurdecedor que ecoa como um grito de desprezo. Um silêncio que machuca. Que cala vozes. Que enterra esperanças. Enquanto isso, os fazedores de cultura da cidade vivem dias de desespero, vendo suas conquistas sendo destruídas por uma gestão insensível, desorganizada e sem compromisso com a alma desta cidade.

O cancelamento súbito do edital Cultura Viva, sem explicações, sem diálogo, sem nenhuma responsabilidade, é a prova mais evidente desse desastre. Artistas e coletivos, que haviam sido selecionados com base em critérios técnicos e transparentes, foram simplesmente ignorados. Projetos foram interrompidos, sonhos foram desfeitos, a confiança na política pública foi dilacerada.
O resultado? Uma classe artística desestimulada, com raiva, decepcionada. Mas, acima de tudo, atenta e mobilizada.

Juazeiro é terra de cultura viva, de tradição, de resistência e de invenção. É palco de mestres da palavra, do som, do corpo e da imagem. É berço de talentos que se espalham pelo mundo com orgulho de suas raízes. E não aceitamos, não aceitaremos, que a cultura seja tratada como lixo administrativo, jogada às traças por quem não compreende seu valor, sua potência e sua urgência.
Estamos estarrecidos. Mas não estamos calados.

Este manifesto foi escrito a muitas mãos. É um grito coletivo. Um grito de alerta. Um grito de resistência. Nós, artistas e produtores culturais de Juazeiro, exigimos respeito. Exigimos uma gestão séria, qualificada e comprometida com a cultura. Exigimos que o prefeito Andrei Gonçalves se manifeste, assuma responsabilidade, dialogue com o povo da cultura e repare o estrago que sua gestão causou.
Não vamos nos calar diante do autoritarismo, da incompetência e da omissão.

Somos artistas juazeirenses. Somos cultura. Somos resistência. E merecemos, exigimos e lutaremos por respeito.

Coletivo de Artistas de Juazeiro

Espaço Leitor Foto ilustrativa