
Ambulatório em Petrolina oferece atendimento exclusivo para surdos com uso de Libras. Iniciativa inédita no Brasil funciona no Centro Auditivo Dr. Ari Brasil em Petrolina e busca garantir acesso à atenção primária na saúde com comunicação acessível. Confira texto da estudante da Uneb, Curso Jornalismo, Mariana Saturnino:
Um ambulatório clínico voltado exclusivamente para pessoas surdas está em funcionamento desde maio de 2025, no Centro Auditivo Dr. Ari Brasil, em Petrolina, no
Sertão de Pernambuco. A iniciativa, considerada inédita no Brasil, foi idealizada pelo médico Igor Jambeiro, que realiza os atendimentos em Língua Brasileira de Sinais
(Libras). As consultas ocorrem às quintas-feiras, a partir das 13h, com agendamento prévio pela unidade básica de saúde ou pelo WhatsApp (87) 99130-743.
O ambulatório atua com foco na atenção primária à saúde, um dos pilares do SUS. Esse tipo de cuidado envolve ações de prevenção, educação em saúde, diagnósticos iniciais e acompanhamento de doenças crônicas. O diferencial da clínica está na acessibilidade: ao oferecer atendimento direto em Libras, o projeto busca romper com a barreira de comunicação que frequentemente impede a população surda de ter acesso pleno à saúde, um direito garantido pela Constituição.
“Os surdos muitas vezes ficam desinformados sobre questões básicas de saúde justamente por falta de acessibilidade. Isso pode agravar situações simples que poderiam ser resolvidas com acompanhamento básico”, explica Igor Jambeiro. Quando o paciente precisa de um atendimento que não está disponível no ambulatório, a equipe encaminha um relatório detalhado para o especialista da área, facilitando a continuidade do cuidado.
A equipe do ambulatório é composta por dois profissionais: o próprio médico Igor Jambeiro e a coordenadora Paula Eloise Campos. Apesar de estar em fase experimental, a iniciativa já tem gerado expectativa e reconhecimento na comunidade surda local e intérpretes. Segundo Juliana Nascimento, que utiliza o serviço, a iniciativa representa um avanço significativo “Antes minha mãe me acompanhava ao médico e falava o que eu sentia para ele, ou eu escrevia em papel. No centro auditivo o doutor sabe Libras, isso é muito importante para que pessoas surdas possam cuidar da saúde com qualidade”.
A ideia do ambulatório começou a ser construída ainda na graduação de Igor, quando ele estudava medicina na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Desde então, ele se envolveu em pesquisas, projetos de extensão e atividades voltadas ao cuidado da população surda. “Eu trabalho com pessoas surdas desde a época da universidade.
Participei de pesquisas, iniciação científica, projetos de extensão — tudo com o objetivo de melhorar o atendimento dessa população”, afirma.
O próximo anseio e espera da Associação de Surdos de Petrolina (ASP) é que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realize uma pesquisa específica sobre a quantidade de pessoas surdas no município. Maria Helena Soares, que é surda e presidente da ASP, critica a falta de dados atualizados sobre essa população.
“Em Petrolina tem muitos surdos. A gente não sabe o número exato porque é dever do IBGE e ele está desatualizado nesses dados”, afirma Maria Helena.
O último levantamento oficial do IBGE sobre a comunidade surda foi em 2022 e apresenta dados gerais do Vale do São Francisco, que somava cerca de 4 mil pessoas
surdas na época.



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