Se existe algo que lembra o sertão, sem dúvida, que é o aboio de um vaqueiro. Esse canto vagaroso que transparece um compasso que segue o ritmo da boiada e que termina por afervorar os animais, tem realmente a cara do Nordeste, apesar de também lembrar o interior das Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e do Goias.
Parece que estou vendo, o vaqueiro tangendo o gado pelas veredas levando-o para as pastagens e de volta ao curral. Ei boi! Ei boi! Boi, boi, boi. Com esse introito, o vaqueiro vai conduzindo os animais e construindo seus versos em forma de aboio, modalidade de origem moura, cultura trazida pelos escravos portugueses da Ilha da Madeira. Com versos centrados em temas agropastoris, o aboio é um dos mais belos traços da nossa cultura. Encantador também é quando estamos diante de uma vaqueirama. Nessa reunião de vaqueiros para apartar o gado em meio ao movimento de apartação, eles aboiam, numa erupção de versos dolentes, parecem conversar com o gado. O barulho do chocalho misturado com o mugido e os aboios, são sons místicos que ainda ecoam no sertão nordestino. ..