ARTIGO - O REAL E UTÓPICO SONHO DA MOBILIDADE URBANA

21 de Nov / 2016 às 11h00 | Espaço do Leitor

Muito se tem ouvido nos meios de comunicação sobre a famigerada e tão sonhada mobilidade urbana. Vira e mexe, esse tema vem à tona, tamanho é a necessidade de se criar alternativas para a locomoção de carros e pedestres, e de se ter corredores que fluam o transporte público das médias cidades, e grandes centros como um todo.

Penso que a mobilidade urbana se apresenta como um desafio não só nos centros urbanos do Brasil, mas também nas grandes metrópoles do mundo. Com o deslocamento de pessoas, em busca de bens e serviços, oportunidade de qualificação profissional e de empregos, observa-se nas regiões metropolitanas, grandes capitais, e recentemente em cidades de médio porte, um excedente de veículos e consequentemente, problemas urbanos que devem ser tratados com politicas públicas eficazes, que resultem em modernas de formas de deslocamento populacional de carros, motos, e múltiplos outros veículos que compõem o transporte publico.

A forma intermodal nos centros urbanos, isto é, a integração entre modalidades diferentes que se completem a exemplo dos meios fluviais se for o caso, férreos (trens, metrôs e VLT’S), além da já tradicional frota de ônibus urbanos, constitui uma maneira eficaz e pós-moderna que além de fazer alusão ao século XXI, traz economia de tempo, e conforto no caótico tráfego das grandes cidades. Historicamente, o Brasil como um todo, tem múltiplos problemas com esse tema, em função da politica da expansão automotiva, patrocinada pelo início do período industrial, onde fora criado, o estigma do carro como objeto de desejo da expansão capitalista de desenvolvimento pessoal e coletivo. Somada a essa questão, esbarramos em um sistema de transporte ineficiente, desconfortável e inseguro, que chama a população a investir em meios individuais e não em coletivos de locomoção. O resultado disso é um trânsito “parafernálico e pandemônico” em nossas metrópoles e mais recentemente, em cidades médias.

Nas esferas federais, estaduais e municipais brasileiras, observamos uma profunda e  descabida falta de  gestões de tráfego e transporte alicerçadas em projetos sustentáveis elaborados por profissionais de nível superior como urbanistas e engenheiros que tenham vivência no assunto, que conheçam de perto, experiências e projetos como os de Vancouver no Canadá, com seus viadutos suspensos por onde correm VLT´s, Amsterdã na Holanda que entre muitas outras cidades, apresentam muitos quilômetros de ciclovias, ou Londres, cidade que possui, semáforos inteligentes, que abrem ou fecham conforme o fluxo de tráfego. Infelizmente, em nossas pobres cidades e não cidades pobres, não temos sequer cronômetro nas sinaleiras, o que previne que em muito casos, que essas sejam avançadas e que sejamos pegos pela foto sensores uma vez que, sem contagem de tempo, não temos como nos orientar!

Como epílogo a essa minha reflexão geo-urbana, até mesmo por lecionar nessa área da geografia, gostaria de elogiar a gestão de tráfego da vizinha cidade, Petrolina que tem demonstrado um esforço na construção do seu trânsito e de sua mobilidade urbana, pensando não somente nos veículos, mas acima de tudo, nas pessoas, no humano. Assim, a citada cidade foge a passos largos das veredas que a levariam a ser uma grande cidade pequena trilhando o caminho das pequenas cidades grandes.

Josinaldo Dias - Professor da rede pública do Estado da Bahia, Especialista em metodologia do ensino de geografia.

© Copyright RedeGN. 2009 - 2024. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor.