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ARTIGO – TROCAR SEIS POR... MEIA DÚZIA

20 de Dec / 2015 às 23h00 | Espaço do Leitor

Nunca ditados populares foram tão autênticos e verdadeiros como esses: “Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, ou aquele que diz “é o mesmo que trocar seis por meia dúzia” ou ainda esse que afirma de maneira bem contundente “antes só do que mal acompanhado”. Com um mínimo de esforço, tenho certeza que o leitor já associou cada ditado ao quadro político que se apresenta ao país no momento. Querem tanto a saída da Presidente por algumas justas razões – a mentira lavada e deslavada ao eleitorado já não seria suficiente? -, e outras tantas por motivações políticas, o que através do “impeachment” não seria golpe por ser um instrumento constitucional e legal. Mas, nesse caso, é preciso pensar na frase do poeta português Bocage, que virou ditado popular: a emenda pode sair pior do que o soneto”... e pelo imbróglio que aí está, sairia mesmo....

Imagino que na história do Brasil nunca estivemos como agora, diante de impasse tão tenebroso na ocupação do cargo de comando maior da nação, ante a perspectiva pretendida de eventual vacância do cargo. O substituto constitucional, pela ordem lógica, seria o Vice-Presidente da República. Mas, não se pode invocar legitimidade de um substituto que foi eleito em chapa única e vinculado aos votos da Presidente, da qual se tornou parceiro e beneficiário das mesmas estratégias, vantagens, erros, acertos ou mentiras eleitoreiras, inclusive aquelas “pedaladas” ilegais ainda em fase de julgamento, pelas quais deveria ser também responsabilizado.

Por que se atribuir o ônus da culpa somente à Presidente se na campanha e eleição estavam juntos e misturados...? Assim, mandar carta com aquela choradeira e alegação de que “sei que a senhora não tem confiança em mim” ou de que esse é um “desabafo que já deveria ter feito há muito tempo”, foi uma iniciativa no mínimo ridícula e não convenceu nem ao mais leigo cidadão deste país. Por outro lado, transmitiu a imagem de quem deseja se aproveitar do momento político para satisfazer a ambição pessoal e partidária, de um partido que dispensa comentários por ser vezeiro em “farinha pouca, meu pirão primeiro”... Apesar do seu ar sério e imponente, o Vice-Presidente não transmite qualquer esperança de melhoria, até mesmo pelo quadro de políticos que o acompanha, além de se enquadrar nas alternativas que inspiraram os quatro ditados reproduzidos no início do texto. E que se danem os interesses nacionais, é o que desejam!

Ora, pressupondo-se um possível impedimento também do Vice-Presidente, quem seria o substituto legal e Constitucional? O presidente da Câmara, que responde no Conselho de Ética a processo por suspeita de atos de corrupção e protagoniza um dos espetáculos mais tristes de manipulação do Regimento da Câmara em benefício próprio, além da suposição de que mantém ao seu lado, sob controle, um número expressivo de Deputados! Logo, por via de consequência, é óbvio que também estaria inabilitado. Diante desse quadro e com um Congresso extremamente suspeito e fragilizado, em que não escapa nem o presidente do Senado (indiciado em seis processos!), somente uma eleição geral em nível federal para restabelecer a credibilidade nacional e internacional, sem as quais a economia não encontrará forças para sair do fundo do poço em que se encontra, principalmente agora que o país foi rebaixado ao mais baixo nível de confiabilidade para investimentos.

Em alguma crônica anterior, o leitor Olivier Gontijo pediu no seu comentário que, oportunamente, elegesse o tema sobre o Presidencialismo e o Parlamentarismo. Ainda não chegou a vez, mas gostaria de lembrar que estamos diante de possível ato que, se aprovado – o que será difícil! -, colocará o Presidencialismo brasileiro numa verdadeira simbiose com o Parlamentarismo, em cujo Sistema a Câmara de Deputados determina a queda do Primeiro Ministro pela simples aprovação de um “Voto de Desconfiança” ao Governo, e este automaticamente é destituído do cargo e outro nome é submetido à Câmara. Mas, pela debilidade em que ambos os Poderes se encontram, ninguém sabe quem mais merece mesmo o tal “Voto de Desconfiança”! Assim, mais parece que os Parlamentares brasileiros estão vivendo o sonho delirante de um Sistema Parlamentarista disfarçado...!

Pensando bem, ah... como seria bem mais salutar se os fatos do cotidiano estivessem a nos conduzir numa direção de abordagens positivas, com temas cheios de energia e motivação para o trabalho e promissores resultados! Mas, o que importa é que o povo continue acreditando em sua potencialidade e construindo o futuro sem desistir, jamais. E, se mudanças forem necessárias, que não sejam apenas TROCAR SEIS POR... MEIA DÚZIA...!!!

AUTOR: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público.

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