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ARTIGO – A “PÁTRIA EDUCADORA” SERIA UM SONHO?

17 de May / 2015 às 23h00 | Espaço do Leitor

É inegável que vivemos novos tempos. Não só pelas novidades que nos são apresentadas por um veloz desenvolvimento tecnológico mundial, configurado numa moderna indústria e nas amplas opções da informática em todos os segmentos onde marca presença, bem como nas alternativas de celulares com impensáveis recursos técnicos, e que hoje fazem parte da vida das pessoas. Mas toda essa envolvente modernidade é fruto de estudos, pesquisas, muito trabalho e um constante processo de aperfeiçoamento.

De outra parte o amadurecimento de uma sociedade, de uma nação, de um povo, acontece e se consolida ao longo de muitas gerações e séculos de história, através de um processo educativo que se encarrega de construir o perfil cultural das pessoas e que tem a sua característica sucessória de pai para filho. Dentro desse pressuposto, o crescimento deveria ser uma regra irreversível, não se admitindo que os avanços culturais, éticos e morais conquistados em algum momento da história desse povo, de repente faça uma trajetória marcada pelo retrocesso da evolução conquistada. Por um momento passamos a conviver com a triste sensação de que os valores estão sofrendo uma reformulação histórica neste país: a verdade cedeu lugar à mentira; onde se escreve sim, leia-se não; toda negociação só é verdadeira se estiver presente a fraude, o delito, o suborno; e tantas outras variáveis que caracterizam o engodo e a má-fé.

Esse enfoque inicial serve para nos inspirar uma indagação: O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O NOSSO PAÍS? Parece haver no ar um certo clima de nostalgia do que aprendemos na educação doméstica e escolar do passado, ainda que na simplicidade do pouco estudo de nossos pais, e o nível de formação aprendido com nossos professores de então, apenas saídos do Curso Normal sem qualquer Graduação Superior, Pós, Mestrado ou Doutorado...! Isto sem qualquer demérito aos nossos dignos mestres de hoje, de graduação cada vez mais qualificada, mas que são esquecidos, mal remunerados, desrespeitados, e cuja atividade não tem o tratamento prioritário correspondente ao nível de importância que representa na formação das nossas crianças e jovens. Nada mais verdadeiro para a nossa reflexão do que as palavras do grande Pedagogo Paulo Freire: “EDUCAÇÃO NÃO TRANSFORMA O MUNDO. EDUCAÇÃO MUDA PESSOAS. PESSOAS TRANSFORMAM O MUNDO”.

O professor universitário e colunista da Folha, Vladimir Safatle, escreveu duras verdades com grande propriedade (edição de 05/05/15), quando afirmou que: “esta “pátria educadora” não merece ter professores [...] Seu salário será, em média, 51% do salário médio daqueles que terão a mesma formação. [...] o salário do professor brasileiro aparece em penúltimo lugar em uma lista de 35 países, atrás da Turquia, do Chile e do México, entre tantos outros”.

Impossível concordar com tão deprimente desclassificação, principalmente quando se sabe que o Brasil está investindo milhões de dólares em outros países da América Latina e África, travestido de país rico, inclusive quando se disponibilizou, espontaneamente, a perder para a Bolívia de Evo Morales, a bagatela de R$ 872 milhões no Acordo de fornecimento de gás ao Brasil, assinado em 2007 (leia-se: prejuízo para a Petrobrás!). Nesse episódio, o então Presidente Lula declarou que “os países mais ricos têm de ter “generosidade” e “solidariedade” com economias menores”. Isso significa, no mínimo, abuso no exercício do poder político e na gestão inescrupulosa do dinheiro público, com visível tendência ao fortalecimento dos interesses ideológicos, além de “fazer cortesia com o chapéu alheio”.

Não tenho, absolutamente, nenhuma intenção de ser um pregador da ética e dos bons costumes. Mas, é impossível não se revoltar ou resistir ao impulso de manifestar algo sobre os temas que hoje envolvem, de forma muito enfática, os sentimentos dos cidadãos brasileiros, como a descrença, a desesperança, a decepção e o desencanto.

A pergunta colocada acima tem sua justificativa diante de tantas evidências que ressaltam do comportamento de políticos e autoridades, resguardadas as raras exceções à regra, cujos hábitos, costumes e práticas passam à população o convencimento cada vez mais arraigado, de que o que “eles falam não se escreve! Ora, se o povo passa a não confiar nas suas lideranças e naqueles que elege, temos uma sociedade em acentuada decadência.

É incontestável que, sem o fortalecimento da educação e o investimento sério, correto e HONESTO de recursos em todos os seus níveis e etapas, não haverá escapatória para o Brasil. É preciso tornar real a promessa e o discurso presidencial da “PÁTRIA EDUCADORA”! Minhas elevadas homenagens à nobilíssima classe de Professores pela heroica e santa missão de educar e forjar com muito amor o caráter dos jovens de hoje, esses legítimos responsáveis pelo Brasil do futuro.

A leitora Nilda Duarte, em comentário encaminhado à crônica anterior, expressou, como mãe de família, o seu desabafo e grande desilusão, cuja parte final reproduzo, para concluir: “ESTAMOS NO FIM DA MORALIDADE EM NOSSO PAÍS. QUE DEUS TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS! ”.                        

Autor:   Adm.  Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.

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