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ARTIGO – UMA BATALHA PELO PODER

03 de May / 2015 às 23h00 | Espaço do Leitor

Um verdadeiro imbróglio tem caracterizado as relações políticas em Brasília, deixando o eleitorado perplexo e ansioso em encontrar alguma forma de definir o tipo de conduta dos principais atores dessa peça teatral, cujo enredo parece meio confuso: A BATALHA ENTRE O PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E O PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL... Definitivamente, assumiram o papel principal no cenário político e elegeram os demais parlamentares como coadjuvantes, ou meros expectadores, desse grande teatro. Assisti a algumas sessões na TV Câmara e o poder de mando e comando é tão grande que o Presidente da Câmara chega a cortar o som do microfone quando vê que um deputado está falando demais e, no seu entendimento, está atrapalhando o andamento da pauta. Logo passa a palavra a outro orador ou segue a pauta. Transparece que há uma visível carência de outras lideranças políticas no ambiente da casa.

Outro detalhe surpreendente, e que tornou bastante evidente o perfil de uma liderança forte, foi notado pelo fato de que, enquanto outros parlamentares buscam meios e artimanhas para não comparecerem a depor numa CPI, quando convocados, o presidente da Câmara, que foi citado entre os suspeitos da Lava Jato, compareceu ao plenário da Comissão sem ter sido chamado e espontaneamente pediu para depor...!  Em respeito à autoridade do cargo do visitante, o presidente da CPI permitiu que logo fizesse o seu depoimento. Óbvio que numa CPI o normal é que os deputados perguntem e o depoente responda. Inversamente ou estrategicamente, contudo, o que se viu foi o Deputado Cunha sufocar a Comissão com um discurso envolvente e quase sugerindo que a Operação Lava Jato seja a investigada, numa total inversão dos papéis.

O que mais tem impressionado na cena política atual é que o Governo Federal que, por lógica, deveria ter uma representatividade política mais expressiva, deixa a Presidência da República no meio do tiroteio entre os dois presidentes que fazem o seu jogo particular de estrelismos, o que demonstra a falta de líderes à sua volta com razoável nível de competência. Ocorre que os dois presidentes, embora companheiros de partido (PMDB), são regidos por cartilhas diferentes. Numa semana estão unidos numa clara oposição ao governo, na outra estão às turras entre si.

Tudo leva a crer que a operação Lava Jato jogou uma ducha fria sobre os nossos representantes em Brasília, inibindo-os de desempenharem o seu papel com autonomia e autenticidade. Tem deputados e senadores que entram mudos e saem calados nos plenários das respectivas Casas Legislativas, certamente temerosos dos dedos acusatórios que envolvem o Petrolão e demostrando a cautela de que “quem tem rabo de palha não senta perto de fogo”.

Há o reconhecimento da existência de certa debilidade na condução das relações políticas entre o Executivo e o Legislativo, diante do insucesso até agora da missão outorgada pela Presidente Dilma ao seu Vice-Presidente Michel Temer que, coincidentemente, é o presidente do partido dos dois coligados rebeldes.

A Câmara aprova um projeto e o presidente do Senado ameaça “engavetá-lo”; em retaliação, o presidente da Câmara declara que vai deixar engavetados projetos que vieram do Senado e que são de interesse dos senadores. Ora, a nação com tantos problemas a serem superados, com uma reforma política que está a exigir um amplo debate de prioridade absoluta, e os dois principais gestores do Congresso Nacional, responsáveis pela aprovação das leis que transformem em realidade os grandes anseios da população, estão aí a extravasarem as suas idiossincrasias ocultas e a disputarem os seus espaços na luta pelo poder!

O grande anseio da população brasileira é ver concretizado, urgentemente, um processo de amadurecimento da classe política, de modo que os debates, as divergências e mesmo os conflitos entre os parlamentares – e com o próprio Poder Executivo -, ocorram em decorrência da discussão de ideias, e não motivadas pelo escambo de vantagens ou cargos para obter a aprovação de Leis e Projetos, como vem sendo a perniciosa prática. O acirramento da recente briga do Renan contra a Dilma, por exemplo, foi em decorrência da Presidente ter nomeado o ex-deputado Henrique Alves – ligado ao grupo do Cunha - para o Ministério do Turismo, demitindo o Vinicius Lajes, afilhado político do Renan. Por aí se vê o caráter do político que ocupa tão alto posto!

Conclui-se que, enquanto perdurarem as disputas irresponsáveis pelo poder ou persistirem questões menores interferindo na relação entre os Poderes da República, o que posterga indefinidamente o encaminhamento de solução para os graves problemas nacionais, a atual geração brasileira será testemunha desse triste capítulo que está sendo escrito com as tintas da incoerência manchando cada vez mais a nossa história.

Autor:   Adm.  Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.

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