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ARTIGO – CORTESIAS COM O CHAPÉU ALHEIO

01 de Mar / 2015 às 23h00 | Espaço do Leitor

Existem atitudes no comportamento das pessoas adultas, reveladas a todo instante e de diferentes maneiras nos dias atuais, que nos remetem a lembranças de anos passados ou, mais precisamente, ao tempo de criança de cada um. Quem não se lembra das rusgas familiares entre irmãos que são surpreendidos em “maus feitos” e os pais ao reclamarem com veemência visando educar aquele pirralho infrator, ouvem uma resposta provocativa numa pergunta intrigante: “Por que ele pode fazer e eu não”? Como não é diferente nos dias de hoje, pois ainda presenciamos esse mesmo diálogo, conclui-se que é cultural e inerente à formação da educação doméstica brasileira ou, talvez, não seja exclusividade nossa.

O mais distraído observador, contudo, identificará que esse costume continua impregnado nos traços culturais também dos adultos, incrustado como regra de comportamento das pessoas nos mais variados ramos de atividades, principalmente onde possa existir um mínimo de disputa por posições e os infratores tentam justificar o cometimento de falhas pela comparação com o exemplo negativo dos outros. É tão marcante essa prática na nossa cultura, que já se consagrou outra frase protetora do erro: “Errar é humano”!

Essas preliminares acima comentadas, até podem ser entendidas ou toleradas entre as pessoas comuns. Mas é inimaginável admitir que tenham respaldo na atividade pública, onde erros continuam sendo praticados de forma avassaladora e às vezes de forma irresponsável, só porque isso começou desde os tempos do Descobrimento do Brasil, ou determinado Prefeito, Governador ou Presidente cometeu o delito durante a sua gestão ou foi omisso no combate a quem o cometeu no passado, reafirmando para a história que é verdadeiro o provérbio português de que “Está tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

O país está diante de uma fragilidade e impotência na gestão dos problemas nacionais, cuja dimensão deixa o seu povo atônito e desprotegido. As soluções encaminhadas só penalizam a sociedade mas não lhe passam a necessária confiança e credibilidade no processo de recuperação, principalmente quando o próprio Ministro da Fazenda já sinaliza que a nação está a caminho de uma RECESSÃO ECONÔMICA.

Durante a campanha havia no ar um clima de estabilidade econômica, e logo depois do resultado eleitoral aparece um rombo no orçamento em torno de 100,0 bilhões de reais, sintomático de crime de Responsabilidade Fiscal. Agora chega ao conhecimento público de que o Tesouro Nacional vem empurrando com a barriga um débito com o Banco do Brasil da ordem de R$ 15,0 bilhões, decorrentes de subsídios oferecidos pelo governo em financiamentos rurais com juros abaixo do mercado; como o mesmo Tesouro não tem reservas a Caixa Econômica vem usando recursos próprios para bancar os benefícios do Bolsa Família, em valores em torno de R$ 10,0 bilhões; ao BNDES, outra dívida de R$ 24,0 bilhões, também referentes a empréstimos subsidiados ou, talvez, financiamentos de obras em países africanos, porto em Cuba, etc.(!); até dos Fundos dos Trabalhadores como o FGTS (Fundo de Garantia) e o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) foram usados recursos da ordem de R$ 7,0 bilhões para financiar o programa Minha Casa, Minha Vida. Tanto o Banco Central quanto o TCU estão cobrando providências face a gestão temerária e criminosa de reservas que não pertencem ao governo, no total de R$ 56,0 bilhões! E, para completar, repercutiu negativamente em todo o país a farra das passagens áreas de ida e volta a Brasília, beneficiando cônjuges de parlamentares, autorizadas pela Mesa da Câmara dos Deputados, justamente quem deveria fiscalizar o governo e dar o melhor exemplo. O que ninguém sabia, é que essa “farra do boi” existiu até 2009 e que, além dos cônjuges, incluía passagens de parentes e amigos que iam visitar o Deputado(a)...!  Então, tudo isso, a nosso ver, é “fazer cortesia com o chapéu alheio”!

Além desses fatos econômicos, de características no mínimo nebulosas, o desempenho do governo em outras áreas vem demonstrando equivocada definição de rumo político-ideológico, a exemplo de criar um impasse nas relações diplomáticas com a Indonésia ao não receber a credencial do seu Embaixador – em retaliação porque lá executaram um brasileiro traficante -, e a Presidente ainda deixou de comparecer ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, mandando representante, enquanto foi prestigiar a posse de Evo Morales, na Bolívia, no seu 3º. Mandato! O somatório desses fatos passa-nos uma sensação de que estamos andando na contramão da história.

Tudo isso suscita certa dúvida. Se todos esses erros e práticas escandalosas recentes surgiram nesse governo – porque parecia estarmos vivendo num mar de rosas –, ou todo o acumulado eclodiu de repente, daí porque a presidente Dilma - como a criança birrenta da história acima - jogou a culpa no presidente que em 1997 não evitou a propina ao funcionário da Petrobrás? Só que ela saltou 4 anos do seu próprio governo e mais 8 do Lula, para focalizar 18 anos atrás a base de tudo que está acontecendo...!

Mas, como ex-revolucionária dos anos 70 e boa aluna dos ensinamentos e táticas de Che Guevara, a nossa Presidente deveria ter lembrado e colocado em prática uma das importantes frases deixadas por ele: “O IMPORTANTE NÃO É JUSTIFICAR O ERRO, MAS IMPEDIR QUE ELE SE REPITA”.

Autor:   Adm.  Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.

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