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Artigo – “O CLUBE DA PROPINA” versus o “JUÍZO FINAL”

23 de Nov / 2014 às 23h00 | Espaço do Leitor

Existem muitos adágios populares correntes, que bem ilustram o fato de que determinadas amizades podem se tornar perigosas e arriscadas para a normalidade de uma boa relação, como os a seguir reproduzidos e que são bem conhecidos: “quem tem amigos desse tipo, não precisa de inimigos!” e ainda “quem com porcos se mistura, farelos come...”. Será que a Presidente Dilma Rousseff está sendo vítima dessas pragas?

Não se tem conhecimento na história passada ou recente dos escândalos financeiros deste país, de tanta técnica e profissionalismo utilizados na construção dos canais de irrigação do dinheiro público ou das estatais para o bolso dos envolvidos ou Partidos Políticos e suas campanhas eleitorais (principalmente do PT, PP e PMDB - os demais partidos ainda não estão imunes!), como o canal da PETROBRÁS, ou o chamado PETROLÃO. Diante de tantos partidários coparticipantes dos atos corruptos, integrantes de cargos importantes da República ou pessoas nomeadas para cargos relevantes das Diretorias de estatais do nível da PETROBRÁS, mancomunados com empresários das mais importantes empresas nacionais, “custoso” é – como diria o homem simples do campo – acreditar que as atividades criminosas investigadas pela Polícia Federal não fossem do conhecimento prévio da Presidência da República, tanto a atual como as anteriores, desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso.

Após ter vencido um pleito presidencial bastante aguerrido, no qual, diga-se de passagem, esteve muito só e com reduzida participação do seu criador e mentor político, a Presidente Dilma quase não teve tempo de comemorar a vitória. A Operação Lava Jato, da Polícia Federal, vem desvendando o lado sombrio do submundo do crime de “colarinho branco” no assalto à Petrobrás, visto que as acusações dos que já estão presos atingem diretamente a sua base partidária e assim será grande a sua dificuldade em fazer a própria composição do novo governo.

Como a Operação Lava Jato, na sua 7ª. Etapa, denominada de “JUÍZO FINAL”, se estendeu apenas aos empresários denunciados e o próximo braço deverá alcançar os políticos envolvidos, parecem extremamente suspeitos o silêncio, a omissão e a falta de solidariedade da classe política que apoia a Presidente Dilma, até mesmo das principais lideranças políticas, que nem defendem nem atacam, transparecendo uma cautela recomendada por outro ditado: "Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no do vizinho!". Alguns tentam desqualificar o trabalho da Polícia Federal, que está cumprindo a determinação da própria Presidente, conforme ela tem repetido com grande frequência, desde a campanha. Quanto aos partidos de oposição, melhor terem prudência no seu eventual entusiasmo, porque, segundo outro ditado português: “É tudo farinha do mesmo saco”, salvo algumas raras exceções!

As imagens que têm sido apresentadas ao público nos noticiários dos últimos dias, deprimem e envergonham a qualquer brasileiro. Alguns empresários presos são Presidentes ou Diretores das nossas principais empresas da construção civil, responsáveis por obras nacionais e internacionais de grande porte, que enobreciam e honravam o sentimento da nacionalidade brasileira (QUEIROZ GALVÃO, MENDES JUNIOR, OAS, ENGEVIX, IESA, GALVÃO ENGENHARIA, CAMARGO CORRÊA, UTC e ODEBRECHT). Um dos envolvidos de menor expressão, o Pedro Barusco, Gerente-Executivo da Petrobrás, considerado arraia miúda como se diz normalmente, apressou-se em aderir à “delação premiada” para ter a pena reduzida, e se prontificou, espontaneamente, a devolver a bagatela de R$ 252 milhões que estão depositados na Suíça! Imaginem, então, os dinossauros do poder econômico e político, quanto não desviaram? O leitor já parou para avaliar o mal que essa corja vai causar à nação? Empresa petrolífera de conceito e respeitada no primeiro mundo, antes classificada em 4º. lugar entre as maiores e hoje ocupando o 120º. lugar, além do impacto desmoralizante sobre as nossas maiores empresas da construção civil, algumas também com presença marcante em outros países!   

A verdade é que a nação está diante de um cenário de imoralidade tão avançado que deixa o cidadão brasileiro, momentaneamente, sem esperança de uma breve solução do problema ou assustado quanto ao que ainda possa vir a acontecer no futuro. Em depoimento desta semana, o Paulo Roberto Costa declarou que o CLUBE DA PROPINA – como era chamado entre eles - não atua somente na Petrobrás, mas em todas as grandes obras de barragens, rodovias, ferrovias, portos, hidrelétricas, etc., o que todo o Brasil já imaginava.

Embora considere fragilizado o poder de liderança da Presidente Dilma, que, talvez, impeça-a de superar as pressões dos supostos amigos do PT (ou inimigos?) que a cercam e os que no Congresso Nacional pretensamente a apoiam, ainda assim, quero crer nas suas palavras proferidas em coletiva na Austrália, quando nos passou a esperança de que a investigação oficial do escândalo da Petrobrás mudará os rumos do Brasil: "Eu acho que isso mudará para sempre as relações entre a sociedade brasileira, o Estado brasileiro e as empresas privadas. [...] Em que sentido? No sentido de que vai acabar com a impunidade”. Oxalá acabe, Excelência!

Admitindo-se como honestas as intenções da Presidente, e que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário terão a autonomia de investigar e punir os culpados, é de se acreditar que essa etapa denominada “JUÍZO FINAL” da Operação Lava Jato, realmente levará esses calhordas ao verdadeiro JUÍZO FINAL de que trata a Bíblia.

Autor:   Adm.  Agenor Santos,  Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público –  de Salvador-BA.

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