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Agricultores familiares do Piauí produzirão etanol

12 de Nov / 2014 às 13h30 | Política

No dia 21 de novembro, será inaugurada a primeira microdestilaria de etanol (álcool combustível) a ser administrada por agricultores familiares piauienses. O empreendimento, com capacidade para produzir 300 litros de álcool a cada oito horas de trabalho, foi instalado na comunidade Cabeceira, zona rural de Palmeira do Piauí, município localizado a cerca de 600 km da capital.

A aquisição de equipamentos e a construção de um galpão para o desenvolvimento das atividades da microdestilaria foi financiado pelo Banco do Nordeste (BNB), no valor de R$ 161 mil, por solicitação do deputado federal Jesus Rodrigues. "Esse valor é relativamente elevado para o contexto da agricultura familiar, mas estamos falando de um projeto piloto. A partir dessa experiência, que deve fomentar a criação de outras microdestilarias, é claro que será possível reduzir esse custo. Esse projeto pode ganhar dimensões muito maiores, tendo em vista a necessidade de se investir na produção de biocombustíveis e a perspectiva de melhoria de vida para milhares de agricultores familiares, que compõem uma parcela muito significativa da população brasileira", explica o parlamentar.

Palmeira do Piauí foi escolhido por ter tradição na produção de cachaça a partir da cana-de-açúcar, já que a matéria-prima para fabricação do etanol será o caxixi, produto descartado na destilação da bebida. O município chega a produzir um milhão de litros de cachaça anualmente, empregando 90% da mão-de-obra local nessa atividade.

"A cana já é nossa subsistência. A produção do álcool combustível vai agregar valor ao produto. É mais um incentivo ao cooperativismo, além disso, agora somos vistos com outros olhos pelo BNB. Essa oportunidade pode abrir muitas portas, facilita o crédito e nos dá a chance de ter contato com especialistas de diferentes áreas. Isso é muito positivo", explica o presidente da Cooperativa dos Produtores de Cana (Coopercana), Raimundo Nonato Leal.

O engenheiro agrônomo João Emílio Pinheiro ressalta o caráter sustentável do empreendimento. "É sustentável porque aproveita subprodutos de outros derivados da cana, integra diversas atividades da agricultura familiar, como a produção de carne e de leite. O agricultor vai produzir seu próprio combustível aproveitando subprodutos, a um custo bem menor", explica.

Asscom

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