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Artigo – A FANTASIA PRÉ-ELEITORAL E A REALIDADE ECONÔMICA ATUAL

09 de Nov / 2014 às 23h00 | Espaço do Leitor

Decorridas exatas duas semanas após o final do pleito eleitoral, já vivemos um perceptível novo clima emocional. O lado vencedor, tanto no meio dos eleitores como da alta cúpula política dos partidos que integraram a coalizão e, principalmente, a presidente eleita, é obrigado agora a encarar uma nova realidade pós-eleitoral. E essa nova realidade passa por um clima de incertezas e inquietações pairando no ar, além do convencimento de que esse já não é mais o momento de continuar mentindo para tentar convencer o cidadão, ou o eleitor de ontem, com teses de que a economia vai bem e a inflação controlada, e ainda que, apesar da crise que afeta os demais países da Europa, o Brasil foi mais ágil e inteligente do que todos eles para manter os níveis de emprego em alta!

Ainda outro argumento muito forte e que rendeu muitos votos à candidata, esteve na afirmação de que o futuro seria muito pior porque o candidato concorrente, através do seu provável Ministro da Fazenda Armínio Fraga - foi um erro de estratégia tê-lo anunciado antes -, iria “cortar gastos, provocar o desemprego, acabar com o Bolsa Família", etc.! Pura balela eleitoral! Agora o discurso oficial já está sendo dirigido para a real necessidade de cortar gastos públicos, estimular a reaproximação com o setor industrial para evitar o desemprego e até mesmo, o impossível, o impensável, o surpreendente, é que o nome da simpatia da Presidente eleita para Ministro da Fazenda, o economista Nelson Barbosa, defendeu em 15 de setembro último, no 11º. Fórum na Fundação Getúlio Vargas “um freio nos gastos em programas sociais”, o que contradiz totalmente o discurso de campanha que anunciava mais estímulos aos programas sociais, justamente onde aparecem como grandes vitrines dos 12 anos da gestão petista, os programas Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Diante disso, fica no ar uma leve sensação de que o eleitorado está sendo ludibriado na sua boa fé...!

Mas, como parece que algo de novo está acontecendo no Reino da Dinamarca – ou será mesmo no reino do Brasil? - em entrevista coletiva nessa última quarta-feira, a Presidente Dilma Rousseff, respondendo a jornalistas, declarou o seguinte: “Eu não represento o PT, eu represento o país, a Presidência da República. Não sou presidente do PT. A opinião do PT é a opinião de um partido. O PT, como todo partido, tem posição de partes. É típico deles” (!) - comentou a presidente.  Se não for mais uma enganação ou jogo de cena, essas são as palavras que todo o povo brasileiro gostaria de ouvir, não importa se ganhadores ou perdedores das eleições. Diante dessa nova verdade, ou falsidade partidária, só me “beliscando” pra ver se estou mesmo acordado ou é delírio momentâneo...!

Agora eleita e diante de um turbilhão de problemas na área econômica, que não surgiu agora, porque já existia, a primeira providência foi aumentar a taxa de juros SELIC pelo Banco Central e, após cinco dias do 2º. Turno foi anunciado que o ROMBO nas contas públicas de setembro atingiu o valor de R$ 69 bilhões, o maior da história até aqui, sendo que o acumulado no ano de 2014 já atinge R$ 224,4 bilhões negativos! Isso significa que há um tremendo desnível entre receitas e despesas da União! A população vivia a permanente expectativa da alta dos combustíveis em geral, única saída para tentar salvar a nossa PETROBRÁS, e ela já se iniciou, o que terá repercussão imediata nos preços de todos os produtos e forte impacto nos índices da inflação! O aumento veio abaixo do esperado (3% para a gasolina e 5% para os demais combustíveis), mas tudo indica que virão outros aumentos em doses homeopáticas para não magoar muito.

Outro detalhe que merece uma consideração final está ligado à consequência da expressiva e desproporcional votação obtida pela Presidente Dilma nas regiões Norte/Nordeste, cujo fato inicialmente provocou reações de toda ordem, sendo que as mais negativas se encaminharam na direção de teses de separação territorial com a criação de uma nação Nordestina, tendo o Brasil como país vizinho, o que entendo como uma imbecilidade de mau gosto! Naturalmente que isso apenas enriqueceu o anedotário popular. Contudo, diante das acusações de alguns patrícios do Sul e Sudeste, atribuindo ao Norte e Nordeste a responsabilidade pelo resultado da eleição, pesquisei se era verdadeira essa avaliação e encontrei números que desmentem essa afirmação, como segue:

            NORTE E NORDESTE - Dilma: 24.142.213 votos ou 45,1%, dos votos válidos; 

            SUL E SUDESTE          - Dilma: 26.627.802 votos ou 49,0%, dos votos válidos.

Proporcionalmente ao eleitorado dessas regiões, ao contrário do que avaliam muitos marqueteiros e “especialistas” de plantão, não foi o Nordeste e o Bolsa Família de regiões pobres quem elegeram a presidente Dilma este ano, e sim os votos dos eleitores das regiões Sul e Sudeste e, ainda mais grave, no próprio Estado de Minas Gerais do seu oponente!  Assim, é hora de parar com essas bobagens separatistas e se preparar para o amargo remédio que poderá estar a caminho, decorrente do CONFLITO DA FANTASIA PRÉ-ELEITORAL E A REALIDADE ECONÔMICA ATUAL que o país está acompanhando com certa perplexidade.

Autor:  Adm. Agenor Santos,  Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público –  de Salvador-BA.

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