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Artigo: DISCURSO DA MUDANÇA: POR QUE NÃO FEZ?

02 de Nov / 2014 às 23h00 | Espaço do Leitor

Pra início de conversa este artigo é o de número 130 e assim a presença do 13 aqui ao lado é uma mera coincidência...! Mas, só me resta mesmo cumprimentar os amigos e leitores vitoriosos, pois essa foi apenas uma batalha democrática vencida e não uma guerra. Parodiando, apenas, o profundo pensamento de Pablo Neruda, diria que: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas... - todos nós somos - prisioneiros das consequências”!

Muito se disse e muito se escreveu nesses sessenta dias que antecederam a campanha presidencial, seja através das televisões, páginas dos jornais, revistas e blogs, seja através dos whatsapps ou das redes sociais, esses dominados por todo tipo de mensagem, desde as bem intencionadas e informativas, às infames, sórdidas e perigosas mentiras forjadas por simpatizantes irresponsáveis e marqueteiros apelativos, de ambos os lados.

Esse extraordinário acontecimento, que correspondeu à 21ª Eleição Presidencial Direta de maior destaque dentro dos 125 anos de história da República brasileira, colocou os analistas diante de um repertório de mil alternativas e variáveis tão amplas como nunca visto antes na história do Brasil, constituindo-se quase que num grande desafio encontrar-se algo novo para compor um tema de interesse do leitor.

Vale a reflexão de que, em certo momento, o nível dos debates e a linguagem usada nos horários políticos nos davam mais a ideia de uma disputa renhida pela presidência de alguma Associação de bairro do que a Presidência da República, a exemplo do que ocorria na comédia “A Grande Família”, visto que não havia qualquer indicativo de que o grande público estava, simplesmente, diante de candidatos que eram a Presidente da República e um Senador da República! Assim que o Tribunal Superior Eleitoral deu um “freio de arrumação” e os convocou a falarem de projetos de governo, e a emissora colocou no auditório os eleitores indecisos para fazer-lhes perguntas diretas, aí, sim, na reta final, é que muitas dúvidas do eleitorado puderam ser esclarecidas.

No artigo anterior, registrei que o grande fato histórico da eleição democrática de 2014 se constituía no “MARCO PARA UM NOVO TEMPO” no Brasil, não importava o nome que viesse a vencer. Um marco indica o ponto de referência a partir de quando e de onde algo novo deverá acontecer. E continuo entendendo que essa convicção é verdadeira, visto que do contingente de eleitores habilitados a votar, cerca de 30 milhões se omitiram de cumprir esse dever cívico por algum motivo e 51 milhões se manifestaram por desejar uma alternância de poder e assim contrários ao continuísmo. Só não me preocupa muito o resultado porque, tanto nos debates anteriores como no emocionado discurso da vitória pronunciado pela vencedora, Presidente Dilma Rousseff, na noite de 26 de outubro, ela falou tanto em MUDANÇAS que deixou evidente certa insatisfação pessoal com o seu próprio governo! Senão, vou relembrar trechos do seu discurso:

“Fui eleita para fazer MUDANÇAS [...] Terei o compromisso rigoroso com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições, propondo MUDANÇAS na legislação para acabar com a impunidade” [...] A palavra mais repetida e mais falada e mais dominante foi MUDANÇA [...] Reconduzida para fazer as grandes MUDANÇAS que a sociedade exige, direi sim a esse sentimento”.

Ora, não deixa de ser uma bela conclusão a que chegou a Presidente eleita! O país reclama por urgentes mudanças, de toda ordem! Para ilustrar, reproduzo aqui uma frase pronunciada por Geddel Vieira Lima num debate da Campanha a Governador da Bahia em 2010, e dirigida a Paulo Souto, muito explorada agora no Horário Eleitoral Gratuito pela campanha de Rui Costa ao Governo do Estado, cuja pergunta também se ajusta, semelhantemente, para ser dirigida à Presidente Dilma, uma vez que falou tanto em combate à CORRUPÇÃO, acabar com a IMPUNIDADE, fortalecer as INSTITUIÇÕES, fazer as grandes MUDANÇAS, que cabe a pergunta: “POR QUE NÃO FEZ?”, nos últimos quatro anos ou nos 12 anos do PT no governo?

Passada a refrega política não adianta “chorar pelo leite derramado”. É importante a união de todos os brasileiros em torno do pensamento positivo e da esperança de que, efetivamente, haja competência e vontade em realizar as promessas de campanha. Que sejam fortalecidos os elos históricos de brasilidade e superadas as reações emotivas do primeiro momento, quando até pensamentos retrógrados “separatistas” e oriundos de mentes vazias foram expostos pelos mais recalcitrantes.

Mercê dos grandes dividendos políticos-eleitorais produzidos pelos programas sociais vigentes, leia-se Bolsa Família, é importante que se encontre uma forma de mantê-los, mas sem perder de vista as sábias lições do provérbio chinês, por volta de 500 anos a. C.: “Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar e ele se alimentará pelo resto da vida”.

Autor:  Adm. Agenor Santos,  Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público –  de Salvador-BA.

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