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ESPAÇO DO LEITOR: À ESPERA DE TRAGÉDIAS.

28 de Jul / 2014 às 07h00 | Espaço do Leitor

Há pouco mais de sete anos o futebol brasileiro passou por sua maior tragédia, com a morte de sete cidadãos e treze feridos após despencarem da arquibancada da antiga Fonte Nova no jogo da série “C” do Campeonato Brasileiro. Depois da tragédia que vitimou diversos torcedores, o estádio acabou sendo interditado e implodido para sua reconstrução, com o escopo de ser uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014.

Não precisa dizer que esse desastre teve diversas consequências: as vítimas e seus familiares que foram atropelados por essa atrocidade e as repercussões jurídicas, políticas e econômicas para o governo estadual, os órgãos e pessoas que administravam tal empreendimento, além de todos os cidadãos que tem uma visão humanitária diante daquela catástrofe que abalou o povo baiano.

Note, nobre leitor, que fiz esta pequena introdução sobre um fato que ocorreu em outro município do nosso Estado, para chamar atenção do gestor municipal e a secretaria competente para que tome providências imediatas, contratando profissionais experientes e capacitados com o objetivo de fazer a manutenção de toda a orla I, dado a necessidade premente de revisão da mesma, sob pena da possibilidade de uma tragédia de maiores proporções.

Não é preciso ser um experto na área de engenharia civil para se notar que a orla precisa de uma reforma iminente, e aí entram até outros atores da sociedade juazeirense, só para citar dois: o Conselho Regional de Engenharia e o Ministério Público Estadual; o primeiro, na fiscalização da atual situação da orla encaminhando seus profissionais para checar como se encontra a estrutura de cimento e metálica da orla; e o segundo, cobrando do governo municipal ações concretas para solução do problema, inclusive através de termo de conduta em que o Município se obrigue, em certo tempo, a tomar as medidas necessárias. Parafraseando a jornalista, escritora e documentarista Eliana Brum que numa citação do Gabriel Prehn Britto, do blog Gabriel quer viajar, usou termo parecido: em Juazeiro é urgente recuperar o sentido de urgência.

Só para começar, o gestor municipal, deveria contratar em regime de urgência profissionais experientes para rever a manutenção de toda a orla, vez que há pelo menos vinte anos não há uma reforma na sua estrutura.

Neste compasso de espera, tomara que as medidas que forem tomadas não passem uma eternidade para serem implementadas, ou como algumas outras obras que estão em andamento como: a reforma ou construção de algumas avenidas que passam anos para serem finalizadas, levando à população de tais ruas a se desesperarem diante das infindáveis prorrogações de obras inacabadas.

Fiquemos atentos! Porquanto esse é um ano eleitoral, em que podemos dar um tapa com luva de pelica nas urnas em políticos que estão atrelados a gestores que demoram anos para agir, ou quando agem, os fatos já aconteceram. Basta um olhar atento para a Praça Imaculada Conceição, onde a iluminação chegou através da reforma da catedral que ampliou os seus objetivos e reformou uma pequena parte da praça diante da omissão dos nossos governantes.

Triste nota é o fato de que, após ter conhecimento através dos meios de comunicação do ocorrido, e depois de ter se pronunciado mediante alguns meios de comunicação, o gestor municipal informou que havia um projeto encaminhado para a reforma da orla I, temo que talvez não tenhamos tempo para aguardar o começo de tal obra, vez que estamos nos aproximando de eventos de grande porte como o carnaval, onde milhares de pessoas se aglomeram em torno do calçadão para ver os cantores e bandas que desfilam pela avenida ou até mesmo situações de menor porte, mas que acumulam várias pessoas em poucos metros quadrados: como nos eventos realizados por igrejas pentecostais, blocos, protestos e/ou manifestações.

Alguns comerciantes proprietários de bares e restaurantes, mais precavidos, tomaram providências urgentes deslocando as mesas dos estabelecimentos da ponta das placas de concreto para a proximidade do meio fio, se resguardando dos consectários de um desastre anunciado, entretanto o poder público apenas isolou o local sem tomar maiores cuidados, porque, volto a afirmar, por ali circulam dezenas de pessoas que fazem caminhadas, diariamente, mas também crianças correm de um lado para outro, ou mesmo um cidadão que porventura tenha exagerado na bebida pode esquecer que ali existe um buraco e acabar por acontecer um desastre. Tudo que não desejamos, pois como diria Caetano Veloso: Aqui tudo parece que era ainda construção e já é ruína. Tudo é menino, menina no olho da rua. O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo prá lua - Nada continua...”

Edimário Alves Machado - Advogado e pós-graduado em Direito Público pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB

Fotografia: Suely Almeida

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