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ARTIGO - A TRAGÉDIA QUE MATA MUITOS E ENRIQUECE OUTROS

29 de Dec / 2013 às 23h00 | Espaço do Leitor

A natural influência exercida pelo espírito festivo do natal e final de ano, que permeia e contagia as relações entre as pessoas, também inspira sentimentos de paz, compreensão e condescendência por certas coisas. Obviamente que quem escreve e tem como foco os fatos do cotidiano, é levado a sofrer essas influências positivas e assim ameniza o sentido crítico dos textos, exibindo mais leveza na linguagem e com uma tendência quase de “homilia papal”.

Contudo, sem a pretensão de ser profeta do mau, de repente fiz novas reflexões e concluí, contudo, que a bandidagem é muito profissional e não faz recesso de fim de ano. Assim comecei a pensar no tema a abordar no final de ano e fiquei atento ao andamento dos fatos. A tragédia das chuvas em Lajedinho, na Bahia e outros Estados, mas principalmente em Minas Gerais e Espírito Santo, com muitas mortes e destruição, causou comoção geral em meio às alegrias das festas. Tudo isso contagiou o emocional das pessoas e despertou o espírito de solidariedade.

Em consequência, a tragédia que se alastrou preencheu amplamente os noticiários de toda a mídia e, obviamente, despertou as preocupações do próprio Governo Federal, através da presidente Dilma Rousseff e da Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ao que esta declarou em entrevista que um dos graves problemas em tudo isso era a “má gestão dos recursos federais disponibilizados nessas ocasiões para o socorro às vítimas”. Diante disso veio à lembrança que as verbas alocadas para a tragédia das chuvas que matou 911 pessoas e deixou 400 mil desabrigados na região serrana do Rio de Janeiro em 2011, foram desviadas quase na sua totalidade! Quando novas chuvas caíram dois anos depois, com quase o mesmo impacto, foi mostrado exaustivamente que as obras de contenção de encostas não foram executadas, e boa parte dos desabrigados ainda estavam acomodados em abrigos. As verbas federais sumiram pelos ralos da indecência! E o pior é que nenhuma punição recaiu sobre esses canalhas usurpadores e inconsequentes, que não se compadecem da dor e do sofrimento de tantas famílias. Preocupadas, as autoridades agora descobriram que é preciso mais fiscalização e controle”, o que já é um grande progresso!

Com exceção para as cidades que já convivem com o risco permanente de enchentes por terem sido edificadas às margens de rios, caso de Lajedinho, na Bahia, e várias cidades do Espírito Santo e Minas Gerais, muitas das tragédias urbanas são estimuladas pela falta de infraestrutura pública de escoamento das águas ou por culpa do próprio cidadão brasileiro que tem o triste hábito de emporcalhar as ruas com todo tipo de lixo, sem imaginar que ele próprio poderá ser a vítima dessa prática irresponsável. De outra parte é urgente que a educação pública priorize ensinamentos direcionados à formação dos nossos jovens no melhor trato com as coisas do meio ambiente, não no sentido do fanatismo exacerbado, mas na compreensão de que uma mudança de atitudes e comportamentos será fundamental na proteção da própria vida em geral.

À mídia deve ser atribuída uma parcela de responsabilidade na inserção diária de mensagens educativas, principalmente usando as novelas que detêm alto índice de audiência e cujos horários fazem parte da agenda diária das famílias. É inimaginável o efeito positivo que poderia resultar junto ao público se atores de credibilidade apresentassem textos que sugerissem exemplos de conduta, com recomendações bem claras de como viver com decência em comunidade. Fica aqui a esperança de que não somente os autores de novelas, mas os programadores das televisões em geral, passem a reconhecer a importância do papel educativo que podem desempenhar no conjunto da sociedade... Ufa, nem o sentimento natalino escapou!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br

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