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ARTIGO – LARANJAS PODRES

08 de Dec / 2013 às 23h00 | Espaço do Leitor

Citrus sinensis, da família da Rutaceae, é o nome científico da laranja. Popularmente ganha personalização como laranja-doce, laranja-bahia, laranja-lima, laranja-pera, laranja de umbigo, etc. É uma fruta muito importante no complemento alimentar pelas suas qualidades e valor nutricional, além de representar item de exportação para a nossa economia. É uma fruta tão importante que todo escândalo político ou econômico-financeiro que se preze tem “um (a) laranja” pelo meio! Como a fruta, o tipo tem de ser doce, afável, maduro, quase mudo e não delator.

Como é difícil ou quase impossível parar de falar ou escrever sobre essa praga que foi o mensalão! Imaginava colocar uma pedra sobre o assunto, porque já quase desgastante, principalmente diante do que afirmei na crônica anterior quanto a que nada melhor para abafar um escândalo que gerar outro, imediatamente. Ao dizer isso procurava lembrar ao leitor que já foi lançado na praça – para não faltar emoção aos brasileiros indignados - o escândalo dos trens e metrôs de São Paulo que envolve PSDB, DEM e PPS, ainda em fase de bombas jornalísticas, mas que pode render também um longo processo judicial e prejuízos à imagem dos seus integrantes vivos e até para alguns já mortos.

Mas o que me faz voltar ao tema é que embora o Supremo Tribunal tenha assumido uma posição mais enérgica no sentido de levar ao final esse processo e desmistificar a histórica frase de que tudo aqui neste país “acaba em pizza”, expressão que por analogia quer significar que todos os envolvidos estarão um dia comemorando em volta de uma mesa, bebendo, cantarolando e servindo-se de uma boa pizza, na simpática maneira dos amigos italianos festejarem um momento alegre, eis que do arcabouço do bem engendrado Mensalão novos fatos vem à tona, sinalizando que onde há fumaça, há fogo. Não é que a reportagem do Jornal Nacional descobriu que o Hotel Saint Peter, aquele que se ofereceu para empregar o José Dirceu como Gerente Administrativo, com a bagatela de 20 mil reais de salário, embora tenha como proprietário conhecido em Brasília, o Sr. Paulo Masci de Abreu, na verdade ele pertence a um “LARANJA” que é um cidadão panamenho, Sr. José Eugenio Silva Ritter, Diretor Presidente da Truston International Inc, empresa estrangeira com sede na cidade do Panamá!... O Sr. Paulo Abreu é apenas um sócio minoritário com apenas R$ 1,00 de capital! Vale destacar que o Sr. José Eugenio, na verdade um Auxiliar num escritório de advocacia, foi encontrado pelo repórter no bairro pobre onde reside na cidade do Panamá, lavando o seu carro sem apresentar nenhum perfil de empresário e assustado porque poderia perder o emprego depois da reportagem. É brincar com a inteligência alheia!

Além do gesto benevolente de dar emprego a um condenado político para uma vaga que não existia, mas que foi criada especialmente para esse fim, cujo personagem apenas por acaso foi ex-Ministro-Chefe da Casa Civil do Governo Lula, o empresário Paulo Masci de Abreu acaba de receber um “pequeno” favor – e já quer muito mais! - do Ministério das Comunicações do Governo Dilma, e diz que ”não cobra hospedagem do ex-presidente Lula porque não cobra de ex-presidentes”. Não posso acusar e nem devo fazer conjecturas, mas pelo andar da carruagem está muito perto de descobrirem quem são os verdadeiros e legítimos proprietários do Hotel Saint Peter!... Talvez nem seja necessário uma grande mágica para essa descoberta!

Conquanto a laranja seja uma das frutas que juntamente com a uva, o melão e a manga contribuem positivamente em nosso mercado de frutas, seja in natura ou transformada em suco para o consumo interno ou externo, no Brasil utilizou-se o seu nome, pejorativamente, para cognominar pessoas que são utilizadas para ocultar aqueles que querem ficar no anonimato por uma série de motivos ou até mesmo para a cobertura de ações não muito lícitas. Daí é que um grande número de atividades neste país, em especial no submundo dos políticos sem ética, sem caráter e sem boas intenções, está acobertado e protegido por milhares de “laranjas podres” que somente subtraem recursos públicos e envergonham a nação.

Diante de tantos percalços de credibilidade dos homens que fazem o nosso poder político, é irresistível não lembrar os exemplos dignificantes de estadistas que marcaram lugar na história, como Harry Truman, 40º. Presidente dos Estados Unidos da América, cujas atitudes de moralidade como homem público devem ser lembradas e citadas para exemplo:

  1. "Como Presidente pagou todos os seus gastos de viagem e de alimentação com o seu próprio dinheiro;
  2. Depois da posse do presidente Eisenhower, seu sucessor, Truman e sua esposa voltaram ao seu lar no Missouri, dirigindo o seu próprio carro... E sem nenhuma companhia dos Serviços Secretos;
  3. Quando lhe ofereciam postos corporativos com grandes salários, rejeitava-os dizendo: “Vocês não me querem a mim, o que querem é a figura do Presidente, e essa não me pertence. Pertence ao povo norte-americano e não está à venda...”;
  4. A única propriedade que tinha quando faleceu era uma casa onde morava que se encontrava na localidade de Independence, Missouri. A sua esposa havia-a herdado de seus pais e, fora os anos em que moraram na Casa Branca, foi onde viveram durante toda a vida”. (Fonte: The White House Historical Association. http://educacao.uol.com.br/biografias).

Por todos os valores acima, se houver qualquer semelhança com os políticos brasileiros não será coincidência, considere mesmo como erro de redação. Quanta diferença!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br

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