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CRÔNICA: ENCONTROS E REENCONTROS

17 de Nov / 2013 às 23h03 | Espaço do Leitor

Nos dias de hoje parece-me um fato inusitado e até certo ponto surpreendente, alguém comentar que mais de uma centena de funcionários (140) ativos e aposentados, da década de 80/90, de determinada empresa, reuniram-se para um reencontro de confraternização, após 25 a 33 anos de separados pelo tempo e pela distância, oportunidade em que o sorriso, a alegria e a empolgação foram características que adornaram os abraços cheios de emoção a cada nova saudação! Embora a internet com a força pujante das redes sociais tenha o poder de aproximar as pessoas, minuto a minuto, não importa onde elas estejam nada substitui o calor do abraço, as lágrimas da saudade satisfeita e as vozes às vezes embargadas daqueles mais emotivos.

Um evento dessa natureza ganha ainda maior relevância ao lembrar que se trata de ex-funcionários hoje residentes em lugares os mais longínquos possíveis, alguns a milhares de quilômetros de distância entre o norte e o sul deste país. Somente vínculos muito fortes, consolidados por uma soma de regras e lições que se sucederam ao longo de uma convivência de médio e longo prazo, sobretudo resultantes de uma estrutura basilar construída de notórios princípios pela empresa empregadora ao longo da sua história, puderam inspirar tão intensa amizade, afeto e cumplicidade! E essa empresa tem uma história escrita com as penas da solidez e da dignidade ao longo de 205 anos: o Banco do Brasil!

Naturalmente que um encontro dessa natureza tem a marca comum às grandes festas, regado a muita bebida e muita comida típica. Nas rodas de bate-papo do reencontro os assuntos são sempre os mais variados possíveis, desde a curiosidade em saber o que cada um está fazendo atualmente - se aposentado -, ao comentário sobre a vasta experiência acumulada ao longo da carreira ou ainda o singular esforço de alguns em lembrar nomes de colegas que foram efusivamente cumprimentados ao chegarem, mas para lembrar os seus nomes... Ah! a memória precisou de leve assessoramento!  As raízes da convivência e relacionamento funcional no Banco foram tão bem regadas durante a experiência profissional, que mesmo que alguns funcionários da época tenham dado às suas vidas uma trajetória diferente e deixaram a empresa para alavancar novos projetos na vida privada, ainda assim eles também estiveram presentes, coerentes com a grandeza de uma amizade quase fraternal.

Embora seja motivo de honra citar o nome do Banco do Brasil como a empresa empregadora que contribuiu para a formação moral e profissional desses funcionários, não poderia deixar de dar a devida relevância à agência onde tudo isso aconteceu e onde esse quadro funcional amadureceu extraordinários exemplos de vida: Ag. de Irecê-Bahia, fundada em 1964! Portanto, estará completando no próximo ano de 2014: 50 anos!

Tive a honra de ser empossado nessa agência em abril/1965, há 48 anos (mais tempo que a idade de muitos leitores!), com apenas 21 anos de idade. Após um giro de seis anos nas agências de Mutuípe e Uauá-BA (gerente instalador), fui convocado na forma de desafio pelo grande Superintendente Geral do BB José Bezerra Rodrigues para assumir a gerência-geral em Irecê, onde permaneci de 1985 a 1989. Só para ter a ideia da dimensão superlativa dessa agência à época, faço um leve registro: 220 funcionários (dos quais cerca de 80 adidos de vários Estados); gerente-geral e três gerentes-adjuntos; 8 Supervisores; 20 Assistentes de Supervisão; 17 Fiscais da Carteira Rural, 1 Investigador de Cadastro e 12 Caixas. Só o contingente de 42 comissionados era maior que muitas agências! Para provar a eficiência da Escola que essa agência representou naquele tempo, do seu quadro de comissionados saíram 33 Gerentes (dentre eles duas mulheres, num tempo em que essa conquista ainda rara) os quais estão por aí administrando agências, alguns em Salvador, inclusive um Auditor Internacional e depois gerente-geral de Assunção, no Paraguai.

Permita-me o caro leitor que tenha feito os registros acima, não por qualquer vaidade pessoal, mas para evidenciar que prazerosamente participei também da história que esse grupo escreveu, sempre unido, solidário e comprometido com objetivos bem definidos, tenham sido eles de natureza profissional ou social. A alegria quase juvenil e empolgante dos hoje senhores e senhoras, alguns belos avós, contagia e rejuvenesce o espírito. Nossa homenagem póstuma a estimados colegas que já estão em outro Plano. O tempo passa e a história ganha novos personagens, mas os atores do passado não devem ser jamais esquecidos! Até 2014, colegas.

Autor:  Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br

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