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CRÔNICA – UM BRASIL DIFERENTE - II

10 de Nov / 2013 às 23h00 | Espaço do Leitor

O impacto positivo geralmente causado junto aos leitores pelos temas das crônicas que abordam situações envolvendo educação, dignidade, ética, respeito, moralidade, honestidade, decência, ordem, repúdio à corrupção, crescimento pelo trabalho, etc., demonstram a existência de uma ansiedade latente em todas as pessoas de bem desse país, de verem as coisas acontecerem dessa forma à sua volta nas relações interpessoais na vida cotidiana e no trabalho, na cidade ou Estado onde moram. O convencimento de que essa é a pura verdade está expresso nos inúmeros comentários inseridos nos Blogs e Sites onde a matéria é publicada, além de uma grande demanda de e-mails recebidos, nos quais a tônica é a espontânea aprovação ao espírito do texto e a revelação desse mais puro desejo.

Em complemento às observações feitas nesse breve giro a Gramado-RS, objeto da crônica anterior do mesmo título, merecem registros mais dois fatos simples, mas que representam indicadores de que quando estão presentes as qualidades acima mencionadas, as atitudes e comportamentos apresentam um perfil diferenciado: a) Aqui entre nós quando o hóspede vai deixar o hotel e pede no balcão para fechar a conta, a primeira coisa que o atendente faz é interfonar para alguém ou pedir ao funcionário de apoio que vá ao apartamento para ver o consumo do frigobar e confirmar se está tudo em ordem, enquanto o visitante espera. Em Gramado, o nosso grupo de vinte pessoas estava deixando o Hotel Sky e a recepção apenas perguntou: “Senhor, algum consumo?”. O hóspede informa se houve ou não e o atendente súbito lhe passa o valor da consumação, e após o pagamento apenas acrescenta um simpático: “obrigado, senhor, e boa viagem”. Como ele tem o hábito de agir com respeito e honestidade nas suas relações acredita que o outro também detém essas qualidades! b) Três dias após o retorno recebo um e-mail do hotel de agradecimento pela visita e solicitando que indique sugestões que possam melhorar os seus serviços!

Tudo isso parece muito simples porque ser íntegro, ser honesto e ter caráter deveria ser uma regra geral e comum. Todavia ganha particularidade e referência porque aqui entre nós, lamentavelmente, o que prevalece é o conceito de que até prova em contrário todo mundo é desonesto e ladrão. Desconfia-se de tudo e de todos! A mania de querer levar vantagem em tudo, como lembrou em comentário a leitora Rita Ribeiro citando a “Lei de Gerson”, destrói totalmente a esperança de que tenhamos uma breve mudança de comportamento das pessoas.

Oxalá que apesar de todos os percalços culturais e educacionais com os quais convivemos hoje, não demande muito tempo para que aconteça a gradual assimilação de novos e bons costumes pelo nosso povo, governantes, políticos e autoridades outras. A esperança é que as gerações de crianças e jovens que aí estão ainda possam ter o privilégio, quando adultos, de conviverem com a confortável alegria de vivenciarem a realidade de um novo Brasil, sem fronteiras culturais internas. Enquanto isso no Plano Superior nós estaremos como estrelas sorridentes e brilhando luzes de contentamento ao ver que os nossos sonhos do passado se tornaram realidade na vida dos nossos netos, bisnetos e tataranetos, neste querido Brasil!                 

Autor:  Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br

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