RedeGN - Imprimir Matéria

CRÔNICA – UM BRASIL DIFERENTE

04 de Nov / 2013 às 19h00 | Espaço do Leitor

Ao pisar o solo desta linda região de Gramado, Canela, Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, pela terceira vez, não tinha dúvidas de que não seria apenas mais uma viagem de turismo que estaria realizando, mas certamente mais uma caminhada na direção de novas observações sobre os costumes e hábitos que envolvem o comportamento das pessoas, e porque certas práticas são bastante diferentes no resto do Brasil. Como tive a felicidade de conhecer alguns outros países da Europa observo que a tendência natural é a de se dizer que a Europa é outro mundo e, portanto, não é o nosso caso. Daí percebe-se que há uma indolente conformidade em continuar praticando atitudes comuns aos países pobres do chamado “Terceiro Mundo”, contrariando a honrosa posição que o Brasil já ocupou em 2011 no ranking dos países de economia forte, como sexto colocado, à frente de uma potência como a Inglaterra.

Quais lições podem ser extraídas em um simples giro pretensamente turístico por um segmento geográfico deste país? Essa seria uma colocação simplória e inconsistente, se não partisse de um analista do cotidiano que tem a curiosidade de estabelecer comparativos entre práticas divergentes de um Estado para outro e questionar por que os bons exemplos não são seguidos e aplicados. Pergunta o leitor: o que existe de tão diferente assim que nos coloca numa avaliação de relativa inferioridade? Antes de satisfazer essa curiosidade natural, devo ressaltar que não seria tão incauto a ponto de desconhecer que são culturas e tradições bem diferentes, e que este texto não tem a pretensão de achar que nós baianos e nordestinos de modo geral, de repente tenhamos de pensar e agir conforme a população do sul do país, violentando a sua própria identidade. Também esta crônica não deseja comparar essas regiões no campo econômico, uma vez que cada uma tem potencialidades de dimensões e grandezas específicas. É oportuno registrar que as coisas boas que acontecem dentro do território brasileiro devem ser compartilhadas, imitadas e copiadas, de forma a atingir um crescente aperfeiçoamento nos costumes e na cultura, valores que transcendem os limites de qualquer fronteira geográfica.

Toda essa introdução objetiva preparar a compreensão do leitor para os pequenos registros que gostaria de aqui fazer sobre coisas que vi e que impressionaram tanto a mim como os demais nordestinos do grupo, a ponto de gerar indagação do tipo: “Estamos mesmo no Brasil?”. Vejam alguns destaques: a) É possível imaginar-se a existência de cidades de certo porte – 30 a 40 mil habitantes – onde não há semáforos (ou sinaleiras) nos cruzamentos e ainda assim o trânsito flui com perfeição, porque os motoristas respeitam as placas que indicam a preferência e como devem proceder num trevo! b) Onde os motoristas, educadamente, param imediatamente ante o simples ato de alguém pisar sobre a faixa de pedestre! c) Onde ninguém joga qualquer papel ou dejeto de qualquer espécie nas ruas, inclusive as bagas de cigarros, cujo exemplo foi logo seguido por alguns companheiros fumantes do grupo que logo caminhavam alguns metros para jogar a sua baga no coletor de lixo, o que antes não faziam! d) Onde o atendimento hospitalar funciona bem e chega a reservar apartamentos a pacientes do SUS porque este paciente contribui para um Plano de Saúde criado para este fim por leis municipais, com parcela mensal insignificante de apenas R$20,00 – o equivalente a quatro cervejas ou vinte pingas – e assim ele é coparticipante do sistema! Quatro destaques apenas porque o tempo foi curto e a viagem não era de pesquisa específica, mas suficientes para gerar o convencimento de que muita coisa pode mudar, principalmente através de um processo educacional e de conscientização de cada cidadão.

Pelo exposto, vejam os leitores que os nossos Prefeitos não precisariam ir ao exterior para buscarem essas e outras experiências, mas podiam designar Assessores ou Secretários para conhecerem novas práticas de gestão pública aqui mesmo no Brasil e assim construírem passo a passo a estrutura de uma nova civilização marcada pela ênfase num conjunto de novos princípios de educação e respeito na convivência em comunidade. Diante do entusiasmo que as observações geravam nas pessoas, ouvi um desabafo de um turista que me pareceu ser do Espírito Santo: “Pago até a passagem do meu prefeito para que ele venha ver como se administra uma cidade!”.                                                                      

Autor:  Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Gramado-RS agenor_santos@ig.com.br

© Copyright RedeGN. 2009 - 2022. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor.