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Tráfico e destinação de animais silvestres são debatidos no MP

17 de Oct / 2013 às 11h30 | Variadas

Problemas e dificuldades referentes ao tráfico e à destinação de animais silvestres foram debatidos na manhã de hoje, dia 16, no auditório do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional do Ministério Público (Ceaf), oportunidade em que foi ressaltada a necessidade de melhorar a estratégia de inteligência para estruturar as ações de combate a esse tipo de tráfico. Segundo a analista ambiental Samanta Levita, há muito foco no combate ao comércio e pouco investimento na probição da coleta desses animais, sendo que a reintrodução deles na natureza ainda não atende às expectativas. Além dos programas sociais, o pesquisador da Universidade Estadual Santa Cruz (Uesc), Sérgio Nogueira defende que deve haver mais educação e informação para conscientizar as pessoas de baixa renda que capturam os animais para os traficantes e acabam prejudicando principalmente os animais em extinção. “Devemos lutar para que não sejam extintas suas famílias”, afirmou.

Professor titular de Pleno Manejo da Fauna Silvestre, Sérgio considera importante a realização de eventos dessa natureza envolvendo promotores de Justiça, que têm uma intensa atuação na área ambiental, tendo em vista que as leis ambientais são muito duras, necessárias, mas quando aplicadas nesses casos, nem sempre beneficiam os animais. Complementando, Samanta considera que para haver maior efetividade das ações voltadas à devolução de animais à natureza, é preciso viabilizar, através da aproximação com centros de estudo, maior qualificação técnico-científica para desenvolver e implementar protocolos de triagem e reabilitação de fauna silvestre com a necessária readaptação das estruturas existentes para a execução de tais protocolos. Ao abrir os debates, a promotora de Justiça Aline Valéria Archangelo Salvador deixou clara a necessidade da academia para dar suporte às operações desencadeadas pelo Ministério Público.

O evento foi realizado graças a uma parceria formada pela Universidade Federal da Bahia, com participação do programa de pós-graduação em ecologia e biomonitoramento e Instituto de Biologia, e Ministério Público, envolvendo o Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente e Urbanismo (Ceama), e núcleos Mata Atlântica (Numa) e de Defesa da Bacia do São Francisco (Nusf), com apoio da Fundação José Silveira. Essa união da teoria com a prática é possibilitada pelo Programa de Intervenções sobre Conservação da Biodiversidade (Picbio), construído a partir de um processo de interação e compartilhamento de conhecimentos teóricos e práticos de pesquisadores acadêmicos da área de ecologia e representantes das Promotorias de Justiça e da área técnica do MP baiano.

Esta é a terceira oficina realizada por meio dessa parceria, que busca a combinação de conhecimentos acadêmicos para subsidiar e ampliar as possibilidades da tomada de decisão em processos legais de ameaça à biodiversidade. Além dos coordenadores do Ceama e Nusf, promotores de Justiça Marcelo Guedes e Luciana Khoury, participaram diversos promotores de Justiça que atuam na área do meio ambiente e representantes das diretorias de fiscalização e biodiversidade do Inema, Leandro Anjos e Gerson de Oliveira; e do coordenador do Cetas, Josiano Torezani.

Fotos: Humberto Filho/Cecom MPBa

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