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ARTIGO - O MERCADO POPULAR DE JUAZEIRO AINDA PULSA

18 de Mar / 2013 às 16h00 | Espaço do Leitor

No imaginário da nossa infância quase feliz, povoada de pessoas, espaços, como um filme em preto e branco, quase “cinemascope” na “matinê” do cine São Francisco, ou cine Coliseu

que eu não assisti. Elas estão lá; sensações vivas demais de pessoas ainda vivas e outras que se foram – ciclo inevitável da breve existência humana.

Às vezes nos encontramos lá, antes na Rua Antonio Pedro, hoje, onde aterraram com “entulhos” o chão do nosso mercado popular que tem nome de ex-prefeito.

Lembra do “mingau do seu Dé”?, De milho ou tapioca? Lembra do mercado da Praça Cordeiro de Miranda? Tinha um “domo” colorido no seu teto, era um vitral quase francês” “art-nouveau” arte dos tempos da bela estação ferroviária. “ Aqui tudo ainda parece construção. mas já é ruína”.

O “cachorro quente de seu Antonio” o mocotó do Café Papagaio (contam que João Gilberto pedia um e esquecia tocando violão e depois mandava esquentar de novo) Tinha também o do seu “Pedro pirulito” em Piranga. E o acarajé de Dona Cecília! Era na rua “d`Apolo” pertinho do bazar Royal de “Gustavinho”.... Esta Juazeiro mágica não existe mais, tem uma outra feia, deselegante, inculta, persistindo, entulhada de políticos ruins, muita gente que chega e marca território como “cachorro vira lata” e fala mal de tudo, todo mundo fala mal de Juazeiro – velha “cortesã” usada, mal amada.

Mas ainda pulsa um quase vestígio de vida pura em pessoas bonitas, humanas em demasia, humildes e lindas, contrastando com a gente fina mal vestida, belezas emburrecidas.

Dona Francisca (Foto)... Olha ela ainda aqui, desde o mercado da Rua Antonio Pedro, onde meu pai, às vezes nos levava para (ele) comer uma “buchada” um “mocotó”, uma “galinha” eu e meu irmão mais velho – a gente comia bolinhos, rosquinhas. 

Longo tempo, de gente que se foi, de gente que nasce e que chega e Dona Francisca esta lá, com o seu tempero, seu sorriso e sua história inundada de saudade, no mercado sempre sujo, caótico, onde Juazeiro não se encontra mais... E a única coisa limpa é uma imensa alegria de ainda poder encontrar gente, gente por demais, gente!

 Sendo assim eu canto: Quando mais velho – moço! Quanto mais amo – seco! Quanto mais águia, água do fundo do poço! Coração na pele – corda no pescoço.

E ainda lá, Dona Rita vendendo verduras, Teca Meirelles comprando tomates, Carcará sobrevoando, Seu Ulisses amplificando uma vida, Jean Rêgo na república das "bananas".

Quem pensa que é só saudade, não é futurista. 

Maurício Dias Cordeiro

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