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Artigo - O famigerado “a todos e a todas”

20 de Aug / 2012 às 23h00 | Espaço do Leitor

Em texto publicado em 16/09/2010, na Veja, acerca da expressão "a todos e a todas", o colunista Sérgio Rodrigues,  afirma que “trata-se de uma bobagem populista – daí seu sucesso com os políticos, cultores por excelência de bobagens populistas”.

É possível que o "a todos e a todas" tenha a sua origem no "brasileiros e brasileiras" usado por José Sarney na abertura dos seus discursos quando presidente da República. Entretanto, há uma diferença enorme entre uma expressão e outra. Em "brasileiros e brasileiras" não há nenhum problema, até porque se assemelha ao tradicional "senhoras e senhores". Como também não há problema, dentre outras formas de saudação, em “companheiros e companheiras”.

Agora, quando em uma saudação, se diz "a todos", tal cumprimento já se estendeu, conforme a própria acepção do pronome indefinido (todos), a todos os presentes ou ouvintes: homens, mulheres, jovens, crianças, meninos e meninas, etc.

E não dá para justificar, dizendo que é uma questão de gênero, ou linguagem inclusiva. Uma vez que a proposta dos defensores da linguagem inclusiva dentro da concepção de gênero é a utilização dos termos masculino e feminino na construção da linguagem como, por exemplo: "Sala dos professores e das professoras"; "Casa da cidadania", em vez de "Casa do cidadão"; "O ser humano", em vez de "O homem"; "Os alunos e as alunas", etc. Até aqui, é pelo menos compreensível. Porém, “a todos e a todas” é um outro fenômeno, talvez o cruzamento de jacaré com cobra-d’água.

Mas o que me causa maior estranheza é o uso reiterado dessa expressão por professores, de quem se espera uma reflexão sobre o que dizem, afinal, são formadores de opinião. Pois, como disse anteriormente, não dá para dizer que se trata de uma questão de gênero, ou linguagem inclusiva.

Portanto, o "a todos e a todas"  é, para mim, um pleonasmo vicioso. Perdoem-me os que pensam em contrário. Mas eu não consigo usar tal expressão. E mesmo que eu quisesse usá-la, o cérebro travaria e não a deixaria sair.

Alberto Caeiro

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