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Saúde dos Solos e sua relação com a agricultura orgânica foi tema de curso na UNEB Juazeiro (BA)

25 de Jun / 2012 às 16h30 | Variadas

“Temos que partir para um modelo de agricultura onde o solo seja manejado com vida, com saúde, para que a planta tenha maior equilíbrio em nutrientes, sais minerais, vitaminas e que ela seja, não só, um alimento para o consumidor. Que seja também uma medicina e um remédio”, disse o engenheiro agrônomo da Universidade Federal Rural do Rio Grande do Sul, Sebastião Pinheiro, durante o curso sobre Saúde dos Solos que ministrou no Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável (Caerdes) do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Juazeiro (BA), de 18 a 20 de junho.

Durante o curso, além de aspectos teóricos e práticos, Sebastião Pinheiro ressaltou que no Vale do São Francisco, o solo deveria ser manejado com melhor habilidade para que ele possa ter saúde. “O alimento, para ter qualidade, precisa sair de uma terra sadia. E nós dizemos que, quando a terra é sã, a planta que cresce nela também é sã, o fruto dela é sadio e quem come tem saúde.”, reforça. O professor do DTCS da Uneb e coordenador do Caerdes, Jairton Fraga, explica que a oferta do curso para profissionais, pesquisadores e estudantes das Ciências Agrárias teve o objetivo de promover o intercâmbio técnico, capacitar e balizar informações importantes sobre o tema para que seja aplicado na região, tanto na Bahia, como em Pernambuco.

“O professor Sebastião Pinheiro trouxe uma técnica de identificação e interpretação da análise sobre a fertilidade do solo através de cromatografia de Runge Pfeiffer, que, apesar de ser muito utilizada na Holanda e Alemanha, é inovadora no Brasil e possibilita conhecer o solo através de seus microorganismos vivos”, descreve Fraga. De acordo com o professor Sebastião Pinheiro, no Brasil, “Saúde dos Solos” ainda não é ensinada em universidades. “A Uneb está sendo pioneira em tratar esse tema (saúde dos solos) dentro de um módulo de agricultura orgânica no curso de graduação em Agronomia e no Caerdes”, destaca Pinheiro.

A estudante Isabela Almeida, do 3º período de Agronomia na Uneb, disse que participou do curso por considerar importante e necessário que estudantes tenham este conhecimento a mais e também para poderem repassar este aprendizado, principalmente quando forem trabalhar com pequenos agricultores. “A análise de solos com a técnica de cromatografia é feita em discos de papel, através de um processo simples que pode ser realizado em qualquer lugar, desde que tenha os discos, vinagre e soda cáustica”, explica Isabela.

Saúde do solo - De acordo com Pinheiro, na agricultura o mais importante é o sol. “O sol se transforma no solo no alimento que nós vamos ingerir ou comercializar”, disse. Ele destacou que o Vale do São Francisco é privilegiado pela quantidade de luz que tem. No entanto, chamou a atenção para o fato alarmante de a região ser o primeiro pólo de concentração de consumo de venenos do Brasil. Para Pinheiro, a agricultura industrial, praticada com uso de insumos químicos, a exemplo de venenos, herbicidas e fungicidas, resulta na produção de alimentos de má qualidade. O mercado, principalmente o europeu, exige alimentos de alta qualidade que não se consegue em zonas frias, com baixa luminosidade e sim em zonas de alta intensidade luminosa.

Edna Lima/ ASCOM DTCS III/UNEB

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