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Pesquisas da Uneb Juazeiro buscam alternativas para o Semiárido

04 de Jun / 2012 às 16h00 | Variadas

O plantio de mudas nativas para minimizar a degradação na mata ciliar do rio São Francisco e a produção dos xilopódios de umbuzeiro foram temas de trabalhos científicos

A produção de mudas de plantas da caatinga foi objeto de estudo das pesquisas de Iniciação Científica desenvolvidas no curso de Agronomia do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro.

As pesquisas resultaram em comunicações científicas que abordam o comportamento do umbuzeiro (Spondias tuberosa) com uso de irrigação; a produção de mudas de espécies nativas; o estudo sobre capacidade de sobrevivência de Bactérias Promotoras do Crescimento da Planta (BPCP) em solos salinos; a relação de cálcio e magnésio no cultivo de cebola em solo argiloso; além da influência desta relação nas características químicas do solo e nutrição da planta.

Os resultados preliminares desses estudos foram apresentados no XIX Congresso Latinoamericano e o XXIII Congresso Argentino da Ciência do Solo, realizados na cidade Mar del Prata, na Argentina, no último mês de abril. Cerca de vinte profissionais da UNEB de Juazeiro, incluindo alunos e professores, estão envolvidos nas pesquisas apresentadas no exterior.

Umbuzeiro – Nativo do bioma caatinga, o umbuzeiro ou imbuzeiro é considerado por Euclides da Cunha a árvore sagrada do Sertão. A espécie tem entre as suas características, osxilopódios, que são raízes modificadas, popularmente conhecidas como batatas ou cucas do umbu.

Na região Semiárida é comum a retirada dos xilopódios de plantas adultas do umbuzeiro para a produção do doce de cuca do imbu. Essa atividade, apesar de melhorar a renda dos agricultores, pode provocar a extinção do umbuzeiro, já que a raiz modificada é o órgão de reserva de água e substâncias nutritivas da espécie.

Pensando nessas consequências, as pesquisas desenvolvidas na UNEB podem servir como alternativa para as comunidades que vivem do extrativismo. Segundo o estudante de Agronomia da UNEB Caio César Lopes, o objetivo é viabilizar para estes agricultores a produção de mudas com uso de irrigação. A partir desta iniciativa, os agricultores poderão retirar as cucas das mudas e preservar as plantas adultas do umbuzeiro.

Mata ciliar – Dentre as principais causas de degradação do rio São Francisco está a ação do homem. No entanto, não é possível devolver a vida perdida, como remete o sentido literal da palavra revitalizar. Mas, é viável a recuperação de parte das áreas degradadas. Para minimizar os impactos do desmatamento da mata ciliar do rio São Francisco, a UNEB vem desenvolvendo a produção de mudas nativas como mulungu (Erythrina velutina) e pau-ferro (Caesalpinia férrea) para o reflorestamento.

De acordo com a estudante de Agronomia da UNEB Lígia Anny de Carvalho, essas plantas podem ser úteis para o plantio em áreas degradadas da caatinga e da mata ciliar do rio São Francisco. Duas pesquisas foram desenvolvidas com o uso de substratos orgânicos, que são provenientes de resíduos da agroindústria, como o bagaço da cana-de-açúcar, coco, sisal e outros. A análisedas espécies mulungu e pau-ferro foram feitas em diferentes proporções de combinação do solo, resíduo de sisal e esterco caprino, com o objetivo de promover o crescimento das plantas.

Por Luna Layse Monitora do Núcleo de Comunicação

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