“Não vou permitir”: Lucinha Mota reage à defesa de Marcelo da Silva e promete acampar para impedir transferência do júri de Beatriz

21 de Jul / 2026 às 16h00 | Variadas

A mãe de Beatriz Angélica Mota, Lucinha Mota, reagiu de forma contundente ao pedido de desaforamento apresentado pela defesa de Marcelo da Silva, réu confesso do assassinato da menina de 7 anos.

Em pronunciamento divulgado nesta terça-feira (21), ela afirmou que não aceitará a retirada do julgamento de Petrolina e prometeu acampar em frente à comarca caso haja qualquer decisão para transferir o júri para outra cidade.

A manifestação ocorre após a defesa do réu protocolar um pedido para que o julgamento seja realizado fora de Petrolina, alegando risco à integridade física do acusado e dos advogados, além de suposto comprometimento da imparcialidade do Conselho de Sentença em razão da forte comoção popular em torno do caso.

Lucinha afirmou que, independentemente da comarca onde o júri seja realizado, não tem dúvidas de que Marcelo da Silva será condenado. No entanto, defendeu que a resposta da Justiça deve ser dada em Petrolina, onde o crime aconteceu.

“Eu posso dizer com franqueza a vocês que, independente onde aconteça o júri do caso de Beatriz, Marcelo da Silva vai ser condenado, porque ele é um assassino e um estuprador de uma criança. Isso a gente não tem dúvida. E o processo, ele tem as provas necessárias e suficientes para condenação dele. Mas eu não vou admitir, de forma alguma, que esse processo seja retirado daqui de Petrolina. Petrolina, Juazeiro, Vale do São Francisco merece essa resposta. Ele deve isso a gente. Essa resposta tem que ser dada aqui", declarou.

Em seguida, ela classificou o pedido da defesa como mais uma tentativa de adiar o julgamento e criticou os mecanismos legais que, segundo ela, prolongam o sofrimento das famílias das vítimas.

“Eu vou lutar até o fim. Eu vou continuar lutando para que Beatriz tenha justiça e que a verdade seja esclarecida para todas as pessoas. Essa tentativa de parar mais uma vez o júri de Beatriz é apenas uma protelação. E sabe por que isso acontece, gente? Sabe por quê? Porque o nosso ordenamento jurídico, através do Código de Processo Penal, dá esse direito a esses covardes e cruéis. A gente precisa mudar isso. Porque as famílias sofrem, as vítimas sofrem, e eles estão lá. Estão lá usufruindo de mecanismos para que a justiça não chegue", disse.

No momento mais enfático do pronunciamento, Lucinha anunciou que, caso haja qualquer movimentação para retirar o julgamento de Petrolina, voltará a realizar um ato de resistência até a realização do júri.

“Então eu já adianto aqui. Se houver qualquer tipo de manobra para levar o júri para Recife ou para qualquer outra cidade ou estado, eu faço minhas malas e vou acampar a partir desse momento até o dia do júri. Porque onde eu estiver, a minha voz vai ser a voz de Beatriz. E não vou admitir nem um tempo mais de protelação. Chega! Chega! Nós não suportamos mais essa justiça cruel que é o nosso país", lamenta.

Emocionada, Lucinha também desabafou sobre o desgaste enfrentado ao longo dos quase dez anos de busca por justiça e reafirmou que continuará mobilizada até a conclusão do julgamento.

“Eu já estou no meu limite. Limite. Sinceramente, gente, eu pensei que o inquérito seria difícil. Mas esse processo está sendo cruel. E hoje eu vejo o quanto as famílias no Brasil sofrem para que os assassinos das pessoas que a gente ama sejam punidos por um crime cruel, que é um crime contra a vida. Então eu já digo, se a caminhada não foi suficiente para mostrar ao Estado o quanto eu sou capaz de lutar por minha filha, pode ter certeza que eu vou acampar e só vou sair da frente da comarca no dia do júri, depois da sentença, porque ele vai ser sentenciado. Ele vai ser condenado porque ele é um assassino, um covarde e cruel", finaliza.

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RedeGN/Fotos: Reprodução/vídeo

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